O general da reserva paraguaio Lino César Oviedo deu entrevista ontem à Rádio ¥andutí, de Assunção, informando estar ‘‘em algum lugar do Brasil ou da Argentina’’. Oviedo - ex-comandante das Forças Armadas do Paraguai, candidato à presidência pelo governista Partido Colorado e líder de uma frustrada tentativa de golpe de Estado, em abril de 1996 - tem contra ele uma ordem de 30 dias de prisão disciplinar emitida pelo presidente do país, Juan Carlos Wasmosy.
Oviedo fugiu pouco antes de sua casa, num bairro luxuoso de Assunção, ter sido invadida na quinta-feira por mais de 50 policiais e soldados do Exército, numa inusitada operação para prendê-lo.
Um porta-voz do general, Alejando Velázquez Ugarte, afirmou que Wasmosy pretende assassinar Oviedo e, depois, alegar que ele se suicidou. ‘‘Não há garantias para que o general Oviedo apresente-se à Justiça’’, diz Velázquez.
Wasmosy ordenou a prisão de Oviedo no dia 3, depois de o militar ter denunciado supostos casos de corrupção envolvendo o presidente. Uma liminar impetrada pelos advogados de Oviedo suspendeu a ordem presidencial, mas a medida judicial foi cassada na terça-feira.
Na quinta-feira, o juiz Antonio Roux concedeu a Oviedo um habeas-corpus, mas ele foi anulado ontem pelo Supremo Tribunal do país - que também suspendeu Roux.
Invocando sua condição constitucional de chefe supremo das Forças Armadas, Wasmosy empenha-se em fazer com que Oviedo seja punido por suas declarações contra o governo. Oviedo alega ter direito de fazer declarações políticas contra o governo por não ser mais um militar da ativa. Por decreto, Wasmosy passou o general para a reserva, destituindo-o da chefia das Forças Armadas, no episódio que resultou na tentativa de golpe de 1996.
Na época, inconformado com o fato de ter sido forçado a deixar o cargo, Oviedo entrincheirou-se num quartel da Cavalaria em Assunção e lançou um ultimato para que o presidente deixasse o poder.
A ação diplomática dos sócios do Paraguai no Mercosul - Brasil, Argentina e Uruguai - e dos EUA salvou o governo constitucional de Wasmosy. A nova queda de braço entre o presidente e o general, porém, aumenta outra vez a tensão política no país.

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