O general da reserva Lino Oviedo, candidato do Partido Colorado à Presidência paraguaia, se definiu ontem como um ‘‘golpista democrático’’, em uma entrevista exlusiva ao ‘‘Bom Dia Brasil’’, da ‘‘Rede Globo’’. Na semana passada a casa de Oviedo em Assunção foi invadida por um comando do Exército. Ele tem contra si uma ordem de prisão de 30 dias, por desrespeitar o comando do Exército.
Após esclarecer que não fugiu de seu país e que está em uma ‘‘estância amiga’’ em território paraguaio, Oviedo disse que falou por telefone com alguns presidentes (não-identificados na entrevista) e que quatro países (tampouco informados) já lhe ofereceram asilo político através de suas embaixadas em Assunção.
Ao responder à primeira pergunta do jornalista Alexandre Garcia, que localizou seu ‘‘esconderijo’’, Oviedo explicou ter rompido o cerco policial-militar graças a colegas da Polícia Nacional e do Exército, que sempre o informam sobre as operações comandadas pelo governo.
Ao ser perguntado se se considerava golpista, o militar de reserva respondeu que sim. ‘‘Tive duas ações golpistas’’, disse. ‘‘Uma, em 2 de fevereiro de 1989 para derrubar a ditadura (do general Alfredo Stroessner). A segunda quando, com a democracia já restaurada e obedecendo a regras democráticas, venci as eleições internas do Partido Colorado (de 7 de setembro passado) para ser seu candidato à Presidência nas eleições de maio de 1998’’. Assim, o militar aposentado se autodefiniu um ‘‘golpista democrático’’, que tem a esperança de ser eleito.
Em outro ponto da entrevista, o general Oviedo explicou a deterioração de suas relações com o atual presidente Juan Carlos Wasmosy, a quem, declarou, não tentou derrubar em abril de 1996, como se diz em seu país.
Segundo Oviedo, em 22 de abril de 1996, Wasmosy o chamou no Palácio do Governo para propor-lhe ‘‘um autogolpe ou ‘fujimoraço’ ou que desse um golpe para ficar como comandante de fato das forças militares’’. Uma proposta que ele recusou, ainda que Wasmosy tenha garantido que ‘‘a Marinha o apoiava e a Força Aérea também havia decidido apoiá-lo’’. Oviedo acrescentou que sempre procurou alertar o presidente Wasmosy sobre a corrupção em seu governo, provando-a com documentos. Embora admita que estas denúncias de corrupção prejudicam a democracia paraguaia, ele negou categoricamente que as Forças Armadas possam tentar um golpe. ‘‘Não vai acontecer’’, disse.
Oviedo explicou por que quer ser presidente do Paraguai, um país ‘‘tão mal-administrado, com uma injusta distribuição de riquezas, com tanta corrupção e impunidade’’. Não escondeu se sentir incomodado com as acusações contra seu país, que segundo ele, para muitos é um ‘‘país de piratas, traficantes de drogas, tráfico de armas, terroristas, corrupção e impunidade’’. É para combater estas acusações - afirmou - é que ele vai se candidatar. Tudo isso, segundo Oviedo, contribui para o agravamento da crise social paraguaia, porque ‘‘não deixa que os investidores nacionais ou estrangeiros invistam no país’’.

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