Oviedo se autodefine golpista democrático
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terça-feira, 04 de novembro de 1997
France Presse 
O general da reserva Lino Oviedo, candidato do Partido Colorado à Presidência paraguaia, se definiu ontem como um golpista democrático, em uma entrevista exlusiva ao Bom Dia Brasil, da Rede Globo. Na semana passada a casa de Oviedo em Assunção foi invadida por um comando do Exército. Ele tem contra si uma ordem de prisão de 30 dias, por desrespeitar o comando do Exército.
Após esclarecer que não fugiu de seu país e que está em uma estância amiga em território paraguaio, Oviedo disse que falou por telefone com alguns presidentes (não-identificados na entrevista) e que quatro países (tampouco informados) já lhe ofereceram asilo político através de suas embaixadas em Assunção.
Ao responder à primeira pergunta do jornalista Alexandre Garcia, que localizou seu esconderijo, Oviedo explicou ter rompido o cerco policial-militar graças a colegas da Polícia Nacional e do Exército, que sempre o informam sobre as operações comandadas pelo governo.
Ao ser perguntado se se considerava golpista, o militar de reserva respondeu que sim. Tive duas ações golpistas, disse. Uma, em 2 de fevereiro de 1989 para derrubar a ditadura (do general Alfredo Stroessner). A segunda quando, com a democracia já restaurada e obedecendo a regras democráticas, venci as eleições internas do Partido Colorado (de 7 de setembro passado) para ser seu candidato à Presidência nas eleições de maio de 1998. Assim, o militar aposentado se autodefiniu um golpista democrático, que tem a esperança de ser eleito.
Em outro ponto da entrevista, o general Oviedo explicou a deterioração de suas relações com o atual presidente Juan Carlos Wasmosy, a quem, declarou, não tentou derrubar em abril de 1996, como se diz em seu país.
Segundo Oviedo, em 22 de abril de 1996, Wasmosy o chamou no Palácio do Governo para propor-lhe um autogolpe ou fujimoraço ou que desse um golpe para ficar como comandante de fato das forças militares. Uma proposta que ele recusou, ainda que Wasmosy tenha garantido que a Marinha o apoiava e a Força Aérea também havia decidido apoiá-lo. Oviedo acrescentou que sempre procurou alertar o presidente Wasmosy sobre a corrupção em seu governo, provando-a com documentos. Embora admita que estas denúncias de corrupção prejudicam a democracia paraguaia, ele negou categoricamente que as Forças Armadas possam tentar um golpe. Não vai acontecer, disse.
Oviedo explicou por que quer ser presidente do Paraguai, um país tão mal-administrado, com uma injusta distribuição de riquezas, com tanta corrupção e impunidade. Não escondeu se sentir incomodado com as acusações contra seu país, que segundo ele, para muitos é um país de piratas, traficantes de drogas, tráfico de armas, terroristas, corrupção e impunidade. É para combater estas acusações - afirmou - é que ele vai se candidatar. Tudo isso, segundo Oviedo, contribui para o agravamento da crise social paraguaia, porque não deixa que os investidores nacionais ou estrangeiros invistam no país.


