Oviedo quer presidir o Partido Colorado
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quinta-feira, 27 de agosto de 1998
France Presse 
O general de reserva Lino Oviedo, líder da corrente oficialista do Partido Colorado, já pode votar e ser votado anunciou ontem o presidente do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE), Carlos Mojoli.
Oviedo revelou que iniciará, dentro de alguns dias, uma campanha para ascender à presidência de seu partido político com eleições programadas para abril ou maio do próximo ano.
Oviedo recuperou todos os direitos civis, revelou Mojoli.
Explicou que desde o momento em que o presidente do Paraguai Raúl Cubas comutou a sentença que pesava sobre o ex-chefe do Exército - condenado a 10 anos de prisão - ele recuperou totalmente seus direitos de cidadão.
Cerca de 300 eleitores fanáticos de Oviedo cortaram quarta-feira os principais acessos da sede do Partido Colorado para impedir a entrada das autoridades que, segundo eles, se dispunham a expulsar seu líder do partido.
Oviedo anunciou domingo passado que, dentro de duas semanas reiniciaria sua campanha eleitoral, desta vez dentro do próprio partido, em mãos atualmente de um de seus maiores inimigos, o vice-presidente do Paraguai, Luis María Arga¤a.
Arga¤a, um ex-assessor do ditador Alfredo Stroessner, deposto em 1989 depois de quase 35 anos de governo autoritário, assumiu o cargo quando confirmada a exclusão de Oviedo da disputa, 20 dias antes das eleições gerais de 10 de maio.
O general da reserva foi condenado na esfera militar a 10 anos de prisão por uma tentativa de golpe de Estado denunciada por Wasmosy em abril de 1996, pena que foi considerada pela defesa parte de uma perseguição política para afastá-lo da corrida para a Presidência.
Cubas, que ficou no lugar de Oviedo por ter sido seu companheiro de chapa, venceu as eleições por ampla margem (12%) sobre a coalizão opositora Aliança Democrática com o slogan: Seu voto vale o dobro.
Esta frase fazia alusão direta à vitória do Partido Colorado e à libertação do general Oviedo de sua prisão militar, promessa que cumpriu apenas três dias depois de assumir o governo dia 15.
No entanto, o decreto que comutou a condenação abriu uma crise política na oposição e na dissidência interna colorada liderada por Arga¤a, que ameaçaram destituir Cubas durante julgamento político.
A oposição e a dissidência do partido oficialista formaram uma aliança que domina conjunturalmente o Congresso para levar adiante o julgamento político.
Criaram uma Frente Nacional Democrática que anunciou mobilizações públicas para protestar contra Cubas.


