Associated Press
De Buenos Aires
A Argentina estuda a idéia de confinar o ex-general golpista paraguaio Lino Oviedo em uma fazenda de La Pampa, 600 quilômetros a sudoeste de Buenos Aires, informaram fontes oficiais argentinas e congressistas do Paraguai nesta quarta-feira.
A decisão poderia ser anunciada no encontro de emergência que os presidentes da Argentina, Carlos Menem, e do Paraguai, Luis González Macchi, manterão hoje na província argentina de Misiones para discutir a crise diplomática causada pela recusa argentina em extraditar Oviedo.
‘‘Estamos estudando detalhadamente a situação’’, afirmou o ministro argentino do Interior, Carlos Corach. ‘‘Ainda não foi tomada nenhuma decisão.’’
O chanceler paraguaio, José Fernández Estigarribia, confirmou que seu governo foi consultado pelo argentino sobre a idéia. ‘‘Estamos conversando a respeito, no marco completo da questão’’, disse ele depois de uma reunião com Macchi.
Fernández assinalou que, se Oviedo for mesmo ‘‘confinado’’, será ‘‘um passo e um gesto muito importante da Argentina para o Paraguai’’. O senador paraguaio Luis Mauro disse que a decisão ‘‘parece ser iminente’’.
Na manhã de ontem, o jornal argentino ‘‘Clarín’’ informara que o governo Menem já tomara terça-feira a decisão de ‘‘confinar’’ Oviedo em algum lugar da Patagônia, entre La Pampa e Ushuaia, capital da Terra do Fogo.
Funcionários argentinos disseram depois que a decisão ainda não saiu, mas ‘‘tudo parece indicar que ele vá para La Pampa’’.
O objetivo seria superar a crise com o Paraguai e reduzir as críticas da oposição à conduta do governo Menem no caso.
O oposicionista Fernando de la Rúa, favorito para vencer a eleição presidencial de outubro, tem condenado duramente a recusa em extraditar Oviedo.
Em protesto contra a não-extradição de Oviedo e de seu aliado José Segovia – este, asilado no Uruguai –, Assunção chamou de volta, na sexta-feira, suas embaixadoras nesses dois países.
Ambos responderam fazendo o mesmo, mas ontem, em um sinal de distensão, Montevidéu comunicou a Fernández que seu embaixador será reenviado ao Paraguai ‘‘o quanto antes’’.
Oviedo é acusado de envolvimento no assassinato do vice-presidente paraguaio Luis María Argaña, em 23 de março, enquanto Segovia é procurado pelo desvio de US$ 600 mil do Ministério da Defesa.
Ambos fugiram do Paraguai depois do crime e da renúncia do presidente Raúl Cubas, asilado no Brasil. Oviedo vive atualmente em uma luxuosa fazenda de um amigo de Menem em Moreno, um município vizinho a Buenos Aires. Mas um advogado do ex-general, Federico Kramer, disse que Oviedo admite a possibilidade de abandonar a Argentina.Medida da Casa Rosada visaria minimizar crise gerada com Assunção depois que o governo Menem recusou extraditar ex-general para o Paraguai
France PresseDistensãoO ministro do Exterior paraguaio Walter Bower anuncia o encontro de Menem com Gonzáles Macchi hoje em Misiones

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