O general de reserva Lino Oviedo declarou-se inocente da intentona golpista, ante um Tribunal Militar Extraordinário. A acusação foi feita contra ele pelo ex-presidente Juan Carlos Wasmosy, resultando numa condenação a 10 anos de prisão, pena que foi sustada há uma semana pelo presidente Raúl Cubas.
Inesperadamente, Oviedo compareceu a um tribunal ontem à tarde e relatou sua participação na crise militar de 22 e 23 de abril de 1996, quando foi afastado por Wasmosy que o acusou de ter tentado derrubá-lo. O general de reserva afirmou que não se sublevou e que a prova disso é a cerimônia pública na qual passou o Comando do Exército dia 24 de abril de 1996 na presença do mesmo Wasmosy, diante de diplomatas estrangeiros e do próprio secretário-geral da OEA, César Gaviria. Disse também que Wasmosy o passou para a reserva conforme a lei, a ponto de lhe permitir desenvolver a campanha política que o levou a vencer as primárias presidenciais do Partido Colorado.
O tribunal militar onde foram apresentadas as declarações de Oviedo é o mesmo formado por Wasmosy em janeiro passado com o objetivo de condená-lo, excluindo-o da corrida eleitoral, explicou a defesa do general Oviedo.
Com a posse de Raúl Cubas, dia 15 de agosto passado, o tribunal passou a ser integrado por militares leais ao novo Chefe de Estado.
Um general e ex-diretor da Academia Militar, Sindulfo Ruiz, que se negou a prestar depoimento ante o tribunal sob a autoridade de Wasmosy, apresentou-se ao Comando-em-Chefe um dia depois da posse de Cubas. O general Ruiz, também acusado pelo ex-presidente de cumplicidade com Oviedo - junto a outros 220 oficiais e suboficiais -, negou as acusações de golpe, segundo a defesa. No julgamento também está em jogo o destino de oficiais e suboficiais que testemunharam que Oviedo não se sublevou.

mockup