Em clima de eleição presidencial, os paraguaios terão o ex-general Lino Oviedo novamente como protagonista do pleito que escolherá o vice-presidente do país, neste domingo.
O grupo do ex-militar golpista, detido em Brasília, com extradição pedida pela Justiça paraguaia, apóia o candidato da oposição Julio César Franco (Partido Liberal) contra Felix Argaña, do Partido Colorado – filho do vice-presidente Luis María Argaña, assassinado em março de 99 supostamente por ordem de Oviedo.
Há um consenso de que a estratégia de Oviedo (que integra uma facção dissidente do Partido Colorado) é igual à dos argañistas: fazer do vice-presidente eleito o real chefe do Executivo, com legitimação nas urnas.
Isso porque o atual presidente, Luis González Macchi, assumiu o posto por ser o presidente do Senado, após a morte de Argaña e a deposição do presidente Raúl Cubas Grau (exilado no Brasil), acusado de envolvimento no assassinato.
Uma interpretação contestada da Constituição, mas aprovada pela Suprema Corte, permitiu a González Macchi convocar eleições somente para vice-presidente, com ele ficando no poder até o final do mandato de Cubas, em 2003.
‘‘Por querer chegar ao poder entrando pela janela e não pela porta, Yoyito (apelido de Franco, um médico-cirurgião) vendeu sua alma ao diabo (Oviedo)’’, diz o analista político Pablo Herken.
‘‘Todos querem o mesmo. O cargo é de vice só na fachada. Voto em Franco seguindo orientação de Oviedo. Se Franco for eleito, será com votos oviedistas, que seguem sua orientação. Os camponeses vão votar nele, porque Oviedo o apóia. Se Argaña ganhar, será por causa do uso da máquina’’, afirma o comerciante Ricardo Sturn, que reconhece a vantagem de Oviedo se comunicar em guarani e ter uma atuação assistencialista.

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