O ex-general golpista do Paraguai, Lino Oviedo, mandou trocar todos os móveis da sala especial no 3º Batalhão da Polícia Militar de Brasília, em que cumpre a prisão preventiva. A família comprou televisão, geladeira, cama e mesa com cadeiras para aumentar o conforto de Oviedo, no quarto com banheiro no último andar do batalhão, onde passa os dias desde o dia 30 de junho.
O 3º Batalhão não tem outros presos e aceitou hospedar Oviedo por causa de sua condição de ex-general.
Oviedo tem autorização para trocar correspondências com qualquer pessoa que queira, além de receber visitas desejadas e previamente selecionadas por ele. A triagem das visitas é necessária, porque Oviedo teme por sua vida. Ele garante que está jurado de morte em seu país.
Mas a PM não faz restrições quanto as escolhas do ex-general sobre quem deve entrar no batalhão para conversar com ele. Até correligionários teriam acesso livre. Mas o advogado do ex-general, Luiz Eduardo Roriz, garante que ele tem recebido apenas a mulher Raquel e os filhos que vivem na Argentina e os dois primos brasileiros.
Roriz não tem conhecimento de outras visitas e estranha atribuições feitas ao ex-general de articular a criação de um novo partido no Paraguai e também de estar influenciando as eleições. O advogado também ressalta que não conversa sobre política com o ex-general. ‘‘Eu cuido apenas da extradição’’, garantiu. Segundo Roriz, o interrogatório de Oviedo, prévio ao julgamento do pedido de extradição feito pelo governo paraguaio, está previsto para setembro. O ex-general é suspeito da autoria intelectual do assassinato do vice-presidente Luis María Argaña, em 1999 e da rebelião militar. O filho da vítima, Félix Argaña, disputa pelo Partido Colorado as eleições de domingo.

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