Oviedo garante que não volta à prisão
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terça-feira, 15 de dezembro de 1998
AE-ANSA e DPA 
O general golpista Lino Oviedo anunciou ontem que seus seguidores vão bloquear todas as estradas do Paraguai, por oito horas, no próximo dia 22, para forçar a renúncia de cinco membros da Corte Suprema de Justiça.
O general de reserva paraguaio Lino Oviedo rejeitou a possibilidade de retornar à prisão como determinou a Corte Suprema de seu país. Oviedo não voltará para a prisão, garantiu o general, referindo-se a ele próprio, em declarações ao jornal ABC Color, de Assunção. O militar anunciou também que se despediu da família para dar a vida se necessário na defesa da decisão do povo que não quer que seu líder vá para a prisão.
Oviedo participou do encerramento de um ato de jovens do governante Partido Colorado em Paraguari, a 70 quilômetros de Assunção. O general golpista disse que se a medida de força não der resultado, haverá outra paralisação das estradas no dia 29. Oviedo referiu-se aos juízes da Corte como protetores de ladrões que esvaziam bancos e financeiras.
As duas casas do Congresso paraguaio se reunirão hoje para analisar a situação política do país e o início de um processo de impeachment do presidente Raúl Cubas por desacato à sentença da Corte Suprema que anulou o indulto ao general Lino Oviedo. Uma reunião com o mesmo objetivo marcada para a quinta-feira passada foi suspensa devido a incidentes em frente ao prédio do Congresso.
O vice-presidente da Câmara de Deputados, Marcelo Duarte, declarou que os líderes das bancadas da oposição estão elaborando um documento questionando a atitude do presidente Cubas. No documento, o presidente do Congresso será autorizado a abrir um processo judicial para investigar as últimas decisões do mandatário.
Caso a resolução seja aprovada hoje, a decisão abrirá o caminho para o impeachment do presidente que desde o início de dezembro se recusa a cumprir a determinação do Supremo anulando o decreto do Executivo que comutou a pena de dez anos de prisão imposta ao general por tentativa de golpe de Estado em 1996.


