Oviedo entra com recurso na Justiça
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sexta-feira, 13 de março de 1998
Lourival SantAnna Agência Estado 
Arquivo FolhaOviedo está preso há dois mesesA Corte Suprema do Paraguai prometeu julgar antes do dia 10 de maio, data prevista para as eleições gerais, o recurso apresentado ontem pelos advogados do general Lino Oviedo (vencedor das primárias no Partido Colorado) contra sua condenação a dez anos de prisão, pelo Tribunal Militar Extraordinário.
A decisão dentro desse prazo tornou-se vital, depois que o Tribunal Superior da Justiça Eleitoral rejeitou a inscrição de novos candidatos a presidente e a vice pelo Partido Colorado e descartou a possibilidade de adiamento das eleições.
Se a condenação de Oviedo não for revista, o partido que governa o Paraguai há quase 51 anos pode ficar sem candidato à presidência, um cenário praticamente inimaginável para os analistas políticos de Assunção. A prisão de Oviedo foi a forma encontrada pelo presidente Juan Carlos Wasmosy para interromper a marcha de seu desafeto - acusado de liderar uma tentativa de golpe em abril de 1996 - rumo à presidência.
A condenação de Oviedo abriu caminho para nova chapa apoiada por Wasmosy, encabeçada por Raul Cubas, eleito candidato a vice-presidente nas primárias. O candidato a vice na nova chapa é o líder de uma corrente rival ao presidente dentro do Partido Colorado, Luis María Arga¤a, que fechou um acordo com Wasmosy. A Justiça Eleitoral, no entanto, recusou a inscrição da nova chapa colorada alegando que o prazo já foi encerrado e a chapa encabeçada por Oviedo continua valendo até que a Corte Suprema se pronuncie sobre sua condenação. Se nada der certo, o presidente pode desrespeitar a Justiça para forçar o adiamento das eleições, uma possibilidade que já gera grande instabilidade no Paraguai e tensão no Mercosul.
O presidente da Corte Suprema, Raul Sapena, explicou que o recurso dos advogados do general Oviedo se divide em dois pedidos: um, de apelação contra a sentença, e outro, de anulação do julgamento. Sapena deu a entender que a apelação, para determinar se o julgamento foi justo ou não, tem mais chances de prosperar do que o pedido de anulação, que envolve o reconhecimento ou não do tribunal militar. Mas garantiu que os dois pedidos serão analisados pelo colegiado e julgados antes da data das eleições.
A criação do tribunal militar estava prevista na Constituição de 1992, mas não tinha sido posta em prática. Wasmosy criou o tribunal para julgar Oviedo por tentativa de golpe, depois que o general da reserva venceu as primárias do Partido Colorado, em setembro. Quanto à apelação da sentença, Sapena explicou que a Corte analisará fatores como se houve ou não pressões pela condenação de Oviedo. O julgamento foi secreto e não se sabe quais as evidências apresentadas contra o general. Aparentemente, nenhuma testemunha foi ouvida.
Na quinta-feira, os cinco membros do tribunal militar - que, como disse o editorial de um jornal, é extraordinário em vários sentidos - foram a campo, ou seja, aos comandos do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, para explicar as razões da condenação de Oviedo e do coronel Jose Manuel Bóbeda.
O presidente do novo tribunal, general Evaristo González, garantiu aos oficiais que as condenações foram no interesse da manutenção da disciplina e pelo bem da institucionalidade das Forças Armadas - que é como os paraguaios se referem à subordinação dos militares ao poder civil.
Na quinta-feira, o presidente Wasmosy tratou desse tema, durante encontro com a Organização das Mulheres Coloradas, no Palácio de López. O presidente desmentiu os rumores de golpe, argumentando que as Forças Armadas estão institucionalizadas. Porém, se chegar a quebrar o sistema republicano, (as Forças Armadas) têm capacidade de fazer respeitar a Constituição e o governo legalmente constituído.
O curioso é que a Justiça paraguaia tem julgado inconstitucionais justamente as investidas do presidente, de mudar o candidato à presidência e mesmo de adiar as eleições, desrespeitando os prazos estipulados pela Constituição.


