O general paraguaio de reserva, Lino César Oviedo, que postulou a candidatura à presidência da República do Paraguai este ano, negou ontem a existência de uma conspiração golpista do presidente Raúl Cubas Grau (Partido Colorado). Oviedo visitou três municípios da região de fronteira com o Brasil, Hernandárias, Ciudad del Este e Puerto Franco, possíveis subsedes da Copa América de futebol para checar as condições de infra-estrutura para a competição.
Segundo a versão que circula nos meios parlamentares paraguaios, Cubas Grau poderia fechar o Congresso com o apoio de Oviedo, em represália às constantes tentativas de deputados oposicionistas em abrir um processo de impeachment do presidente. Os congressistas contestam a decisão tomada em agosto pelo presidente, que libertou o general da prisão. Oviedo foi condenado a dez anos de prisão por tentativa de golpe militar, em 1996. Por causa da condenação, ele teve impugnada sua candidatura à presidência.
‘‘Tivemos um processo eleitoral democrático e transparente como nunca havia ocorrido em nosso país’’, lembrou o general, referindo-se às eleições presidenciais de maio. Segundo Oviedo, dois motivos afastam qualquer possibilidade de ruptura constitucional: o atual clima democrático da sociedade paraguaia e o caráter do presidente Cubas Grau.
‘‘Conheço este homem há 40 anos. Asseguro ao povo paraguaio que ele é um cidadão extremamente honesto’’, elogiou o general. Em tom de discurso, Oviedo comentou o período de estabilidade política por que passa o Paraguai. ‘‘Ter um governo civil e trabalhador como o de Cubas deve orgulhar o nosso povo’’, disse.
Sobre seu futuro político, Oviedo disse que até junho do próximo ano deve se dedicar exclusivamente à organização da Copa América, torneio continental interseleções que o Paraguai sedia pela primeira vez. O general ocupa o cargo de coordenador do comitê organizador do evento. O general também está empenhado em dirigir o Partido Colorado, no poder há 50 anos.

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