Oviedo ainda é a estrela das eleições
Oviedo ainda é a estrela das eleições
O Partido Colorado reuniu 100 mil pessoas na terça-feira à noite em Assunção e faz o esforço final para manter-se no poder
José Antônio Pedriali
Enviado a Assunção
France Presse
OnipresenteCartazes e discursos saudando Oviedo marcaram comício de terça Ele completou ontem 145 dias de prisão e nos últimos dias só pôde ser visitado pela esposa, Raquel, e por seu advogado. Mas o general Lino Oviedo será o elemento decisivo para que o Partido Colorado, no poder no Paraguai há 54 anos, evite uma derrota histórica nas eleições presidenciais de domingo.
O comício de encerramento da campanha eleitoral colorada realizado no noite de terça-feira diante do Congresso, em Assunção, mostrou a força do general. Enquanto era mantido silencioso em sua cela - e continuará assim por dez anos se for respeitada a decisão da Suprema Corte de Justiça - o general Oviedo foi o personagem onipresente da manifestação.
Faixas, cartazes, palavras-de-ordem, discursos e canções saudavam o general a todo o momento. Lino, querido, o povo está contigo, gritava a multidão colorada, calculada - sem exagero - em mais de 100 mil pessoas, vindas de todo o país. Centenas de ônibus, com adesivos e bandeiras com nome do general Oviedo, fizeram do centro de Assunção o caos. Os jornais, mesmo os que mantêm alguma independência em relação ao Partido Colorado, ontem foram unânimes: o comício foi impressionante, afirmou ABC Color.
Se Oviedo foi personagem onipresente, o presidente Juan Carlos Wasmosy, colorado, foi a ausência mais notável, embora poucos tenham se importado com isso. O rompimento político de Wasmosy e Oviedo, por razões comerciais segundo os próprios colorados, é a causa da ameaça de o partido vir a perder o poder com as eleições de domingo.
O líder do Partido Liberal, Domingo Laíno, que disputa a presidência pela terceira vez, está tecnicamente empatado com o candidato colorado Raul Cubas Grau. Os colorados estão mais que cientes deste risco e por isso jogaram tudo no comício de encerramento para transformá-lo numa demonstração de força eleitoral, o que, aliás, conseguiram.
A força eleitoral dos colorados - oficialmente conhecidos como Aliança Renovadora Nacional - deve ser medida além dos números. O partido possui 988 mil militantes de carteirinha contra os 719 mil membros do partido Liberal e Encuentro Nacional que formam a aliança liderada por Domingo Laíno.
Os colorados têm, portanto, quase a metade dos 2 milhões de eleitores paraguaios. Seus militantes são tão fanáticos por seu partido quanto os corintianos pela equipe do Parque São Jorge. São fanáticos e - aí está o grande elemento de força dos colorados - dependem do partido para tudo. Para conseguir emprego, para obter empréstimos, para abrir caminho para transações comerciais, para facilitar trâmites burocráticos e alfandegários. Para viver, enfim.
Esta dependência está sendo habilidosamente explorada pela liderança colorada, que espalhou pelo país rumores de que uma eventual vitória de Laíno irá desestruturar o funcionalismo público - e só a Prefeitura de Assunção tem quase 50 mil servidores. O golpe foi sentido por Laíno que há vários dias vem publicando anúncios de página inteira nos jornais para desmentir que esteja planejando demissões em massa dos servidores estatais.





