France PresseClinton volta à defensivaFoi péssimo o final de semana do presidente Bill Clinton. Na sexta-feira, 13, os advogados de Paula Jones, que acusam o chefe da Casa Branca de assédio sexual, entregaram à juíza Susan Webber Wright, do tribunal de Little Rock, Arkansas, mais de 600 páginas com depoimentos de outras mulheres que também teriam sido molestadas pelo presidente. Mas o pior estava por vir. No domingo à noite, Kathleen Willey, ex-voluntária da Casa Branca contou em detalhes, durante entrevista no programa ‘‘60 Minutes’’ da CBS, como Clinton tentou se aproveitar dela durante uma audiência, há mais de quatro anos.
Willey, na época com 51 anos, não é apenas mais uma mulher que surge no cenário para depor contra o presidente. Ela é a única que apareceu no horário nobre da tv, no domingo à noite, num programa de entrevistas que chega a 20 milhões de domicílios. Não foi um depoimento no papel, numa sala fechada, mas uma aparição com expressão e viva voz, algo de maior impacto. Ela contou que ficou ‘‘atônita’’ quando no dia 29 de novembro de 1993, após conseguir uma audiência, foi levada do salão oval da Casa Branca para um escritório adjacente e lá recebeu um abraço ‘‘muito demorado’’ do presidente. Em seguida - relatou - ele tentou beijá-la na boca e ainda colocou as mãos dela nas suas partes genitais.
O perfil de Willey dá mais credibilidade ao seu depoimento. Ela não é uma cantora de cabaré como Genniffer Flowers, nem teve interesse em processar o presidente como Paula Jones. Ela foi colaboradora do Partido Democrata e voluntária da Casa Branca e procurou Clinton para pedir um emprego remunerado porque enfrentava dificuldades financeiras e conjugais. A entrevista de Willey só fez reforçar as suspeitas de que Clinton tenha tido algum envolvimento com a ex-estagiária Monica Lewinski, pivô mais da profunda investigação do promotor independente Kenneth Starr.
Interrogado no dia 17 de janeiro sobre esse episódio, Clinton deu outra versão, mas reconheceu ter recebido Kathleen Willey:‘‘Tomei ela nos meus braços, talvez até a beijei na testa, mas isso não tinha nada de sexual’’. Para evitar maior estrago, ainda no domingo à noite, a Casa Branca divulgou uma nota alegando que as declarações de Willey na entrevista eram mentirosas. Novamente os defensores do presidente argumentaram estranhar que a aparição dessa ex-voluntária da Casa Branca tenha acontecido dois meses antes do processo de Paula Jones ser julgado em Little Rock.
Tudo o que os advogados do presidente querem é impedir que a justiça de Arkansas abra processo do caso Paula Jones no dia 27 de maio. A estratégia é tentar desqualificar tudo que venha da parte dela, como algo que não merece credibilidade. Os advogados dela tentam fazer o inverso, provar à Justiça que o caso precisa ser levado a sério e investigado a fundo. As mais de 600 páginas entregues à juíza Susan Webber Wright na sexta-feira tentam dar suporte a isso.

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