Viena - A escritora austríaca Elfriede Jelinek, que conquistou ontem o prêmio Nobel de Literatura, disse que não irá no próximo 10 de dezembro a Estocolmo para receber o prêmio porque sofre de ''fobia social''. Ousada, Elfriede é considerada uma militante da luta contra a violência sexual contra as mulheres. ''Sofro há anos, em intervalos regulares, de fobia social, o que faz com que não possa suportar multidões'', contou a autora, por telefone, de sua casa situada num bairro residencial de Viena.
''Os médicos conhecem esta doença'', afirmou. ''Posso sair em pequenos círculos e viajar a Munique (Alemanha) para visitar meu marido, mas não posso estar em multidões'', explicou Jelinek. ''Também consigo escrever. O que me angustia é a multidão'', acrescentou.
''Minha editora irá no meu lugar a Estocolmo para receber o meu prêmio'', afirmou. Os livros de Jelinek são publicadas pela editora alemã Rowohlt. ''Ainda não estou consciente de que me concederam o prêmio Nobel. Ainda não posso sentir nada, me sinto vazia'', disse.
Perguntada se a doença está relacionada com a Áustria e a política austríaca, à qual tanto critica em suas obras, a nova prêmio Nobel respondeu: ''Isto não tem nada a ver com a Áustria e a política, todo mundo pode sofrer dessa doença''.
Definida como uma autora controvertida na Áustria, Jelinek, 57 anos, vive atualmente reclusa após ter sido insultada pela extrema direita de Joerg Heider, que classificou sua obra como uma arte baixa e imoral.
Segundo os médicos, a ''fobia social'' se manifesta sobretudo em medo de ser humilhado em público. As pessoas que sofrem desta doença têm a impressão de que são alvo de todos os olhares e temem não estar à altura das circunstâncias. Esta fobia restringe o círculo social dos doentes, para os quais o simples fato de falar em público pode fazê-los enrubescer e ficar trêmulos. Seu tratamento consiste de técnicas de relaxamento e ingestão de antidepressivos.

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