A iniciativa privada, responsável pela maior parte dos bons resultados da economia em 1996, apesar das dificuldades encara com otimismo o ano de 1997. Comércio e indústria, na maior parte, já se adequaram aos novos tempos surgidos com a estabilização.
Os indicadores do final do ano sobre falências e concordatas mostram uma queda animadora neste item, evidenciando que as mudanças foram bem absorvidas. Faltam, ainda, alguns avanços para que a retomada do crescimento saia das casa dos magros 4% e produza frutos melhores. E tudo indica que as oportunidades serão positivas nos próximos meses.
Existe hoje, neste limiar de 1997, somente um problema e uma preocupação: o que é que o Governo federal pretende fazer com a economia no começo do ano? Nos últimos meses cresceram os rumores e temores de que a equipe econômica do Governo adotaria logo em janeiro medidas para esfriar a economia, inclusive com algumas normas destinadas a dificultar o crédito. Mas nos últimos dias de dezembro as informações eram mais tranquilizadoras, antecipando-se que o crescimento das vendas de fim de ano foi moderado e não seriam necessárias novas restrições ao consumo. Mas, o Governo tem voltado atrás rapidamente em matéria de estratégias econômicas, a fim de manter a sustentação do real e a inflação sob controle.
Janeiro e fevereiro serão meses de observação, tanto no campo político - com o Congresso reunido em convocação extraordinária - como na área de política econômica. Se não houver sinais em contrário, o setor produtivo urbano deverá continuar funcionando no mesmo ritmo do segundo semestre deste ano, com crescimento na produção e no emprego. Mas o último item depende muito da aprovação do projeto de lei sobre contratações temporárias, que está há mais de seis meses no Congresso. O sim do Congresso seria o ponto de partida para uma ampla reforma em todo o corpo de leis que regulamentam o trabalho no Brasil, área em que estamos atrasados cerca de 50 anos em relação a países bem sucedidos.
No campo O campo também tem incógnitas. O produtor brasileiro sempre foi um bravo a enfrentar dificuldades de toda a ordem, tanto as do clima, que ninguém controla, quanto do poder público. O problema dos sem-terra continua sendo um desafio, mesmo já tendo sido assentadas 100 mil famílias pelo Governo. O MST, que em matéria de reforma agrária prefere a invasão pura e simples, promete continuar nessa forma de pressão, que foi forte este ano, no Norte, no Pontal do Paranapanema e no Paraná.
Se a política agrária e agrícola do Governo ficar mais clara e mais consistente em 1997, os avanços poderão ser muito maiores, tanto na distribuição de terras como na produção. O Brasil pode aumentar bastante sua produção, simplesmente desonerando o campo e ampliando a área plantada. Depois, poderá fazer o mais difícil: a melhora geral da produtividade, do escoamento da produção, da armazenagem, do sistema portuário, do desperdício, da instrução e da informação.

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