OTAN reconhece equívoco no ataque a comboio civil
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quinta-feira, 15 de abril de 1999
Associated Press 
Menos de 24 horas depois de ter desmentido acusações da Iugoslávia (Sérvia e Montenegro), a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) reconheceu ontem que um F-16 de sua esquadra de caças-bombardeios atacou na quarta-feira por equívoco um veículo de um comboio de refugiados albaneses étnicos na rodovia entre Prizren e Djakovica (Kosovo). No bombardeio, morreram 75 pessoas e 26 ficaram feridas, segundo fontes oficiais iugoslavas.
Foi um trágico acidente, lamentou o porta-voz da OTAN, Jamie Shea, que não confirmou o total de vítimas apresentado por Belgrado. Ele acrescentou que, a 5 mil metros de altitude, o piloto acreditava estar destruindo um veículo militar. Os Estados Unidos e todos os demais países membros da aliança manifestaram pesar. A Rússia classificou o ataque de criminoso e exigiu uma explicação.
O secretário da Defesa americano, Willian Cohen, afirmou que o incidente não vai influir na determinação da OTAN de bombardear a Iugoslávia até obter do presidente Slobodan Milosevic a retirada total das tropas iugoslavas de Kosovo. Cohen rebateu as críticas de Milosevic, que acusou a OTAN de crime contra a humanidade. Milosevic acusar alguém de cometer atrocidades é a coisa mais grotesca que se pode ouvir hoje.
France PresseFugindo do terrorBebê kosovar em Gjallica, Albânia. Seis mil refugiados chegaram à Albânia e Macedônia ontemPara o chanceler britânico, Robin Cook, os sérvios derramam lágrimas de crocodilo. A televisão sérvia mostrou imagens dos destroços de um trator e de dezenas de civis estirados no leito da rodovia, muitos deles mutilados e queimados. E o Ministério da Informação iugoslavo levou alguns jornalistas ao local.
Deuda Zudja, uma albanesa étnica de 17 anos, contou chorando que perdeu três parentes. Eu vi os aviões, contou ela. Lançaram três projéteis sobre nosso grupo. Ismet Sulja, de 46 anos, ressaltou que os aviões passaram pelo comboio duas vezes antes de atacar. Os três filhos dele, de 11, 14 e 18 anos, ficaram feridos. Segundo Sulja, cerca de 3 mil albaneses étnicos não conseguiram chegar à fronteira albanesa e retornavam a suas casas. Não havia militares sérvios no comboio, apenas moradores de Dobros, Molic, Mirakez e Junik. Zoja Djundja, de 50 anos, disse que quase todas as pessoas do grupo dela sofreram ferimentos. Os sérvios levaram os jornalistas ao Hospital de Prizren, onde estão os feridos e também os corpos das vítimas - queimados e terrivelmente mutilados. Os sérvios supervionaram as filmagens e tomadas de fotos, alegando questões de segurança.
Mais tarde, a agência iugoslava Tanjug informava sobre a ocorrência de novos e intensos bombardeios. Foi destruída uma das mais belas e longas pontes ferroviárias do país, interrompendo o tráfego de trens entre Belgrado e um porto de Montenegro, no Mar Adriático. Também foram atingidos alvos em Pristina e Kosovka Mitrovica (ambas em Kosovo). A agência iugoslava destacou que houve vítimas civis em Mitrovica. Foram ouvidas várias explosões nas cidades de Vrange (sul da Sérvia) e Novi Sad (norte).
Caças-bombardeiros da Otan sobrevoaram e também atacaram alvos em Montenegro, principalmente nas cercanias da capital, Podgorica. Imensa coluna de fumaça foi vista saindo do aeroporto Golubovac (sul da cidade). Da fronteira albanesa, a artilharia sérvia disparou dezenas de granadas de morteiro contra Kukes (Albânia), onde há um grande campo de regiados. Ontem, aumentou o fluxo de kosovares que buscam refúgio na Albânia e na Macedônia.


