Otan recebe proposta iugoslava com ceticismo
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segunda-feira, 10 de maio de 1999
Associated Press 
Os Estados Unidos e a Otan receberam com profundo ceticismo ontem a decisão da Iugoslávia (Sérvia e Montenegro) de retirar parte de suas unidades militares e policiais em Kosovo. Se está ocorrendo, trata-se apenas de meia medida, reagiu a secretária de Estado americana, Madeleine Albright. Os bombardeios só serão suspensos quando o presidente Slobodan Milosevic (iugoslavo) cumprir as cinco exigências da comunidade internacional, destacou o porta-voz da Otan, Jamie Shea, confirmando a realização de novas incursões aéreas sobre o país.
A agência oficial Tanjug informou que o Estado-Maior do Exército ordenou uma retirada parcial da província sérvia, por considerar completamente encerrada a campanha contra o denominado Exército de Libertação de Kosovo. Sem dar detalhes sobre o número de soldados e policiais recolhidos aos quartéis fora dos limites de Kosovo, o comando militar iugoslavo ressaltou que quando houver um acordo sobre o envio de uma missão da ONU ao território será possível reduzir as forças iugoslavas na região aos níveis dos tempos anteriores ao da agressão (referência aos bombardeios). Estimativas dos serviços secretos da Otan indicam a presença de 40 mil soldados e policiais sérvios em Kosovo. Antes do início da campanha aérea da Otan (Operação Força Aliada), o aparato policial-militar na região não ultrapassava 12 mil homens.
As condições para suspender a Operação Força Aliada são muito claras, comentou o porta-voz da Casa Branca, Joe Lockhardt. Qualquer outra proposta que não preencha isso é inaceitável.
A Grã-Bretanha e a Alemanha também reagiram com ceticismo à retirada anunciada por Belgrado. Na Espanha, ela foi anunciada como passo à frente.
A Rússia, tradicional aliada dos sérvios, aplaudiu a medida, que vem antecedida de declarações atribuídas a Milosevic de que a Iugoslávia aceita o plano de paz proposto pelos chanceleres do Grupo dos Sete (EUA, Grã-Bretanha, Alemanha, Itália, França Canadá e Japão), e a Rússia. O presidente iugoslavo faria apenas uma ressalva: admitiria no país forças com armas leves, comandadas pela ONU, e em número reduzido - muito abaixo do exigido pela Otan. Essas iniciativas de Milosevic são interpretadas tanto no Pentágono quanto na Otan como demonstração de fraqueza do presidente iugoslavo, que estaria tentando proteger suas tropas dos constantes ataques da aviação da aliança e obter algum dividendo político num momento em que a Otan aparenta desgaste diante da opinião pública internacional pelo embaraçoso bombardeio do prédio da embaixada chinesa na capital iugoslava na sexta-feira.
A aviação da aliança poupou Belgrado no domingo, mas ontem retomou os bombardeios. As sirenes voltaram a soar e explosões foram ouvidas na zona central da cidade e no aeroporto militar de Batajnica (15 quilômetros ao norte).
A Tanjug informou também sobre ataques ao setor industrial de Cacak (145 quilômetros ao sul da capital), que causaram a morte de quatro pessoas e ferimentos em 12. Os alvos dos mísseis foram a fábrica de produtos térmicos Cer, um instituto de tecnologia e a empresa de construção civil Hidrogradnja. O bombardeio durou 25 minutos.


