A iminência de uma decisão para lançar um ataque aéreo contra alvos sérvios em Kosovo e na Iugoslávia, que poderá ser tomada esta semana em Bruxelas, fez os responsáveis militares da Otan prepararem a próxima opção militar - a mobilização de forças terrestres -, informaram ontem fontes da Aliança Atlântica.
O momento de tomar a decisão de intervir será, muito provavelmente, amanhã, quando for realizada no quartel-general da Aliança, na capital belga, uma reunião extraordinária entre a secretária de Estado americano, Madeleine Albright, e os ministros das Relações Exteriores da Otan.
A decisão de adotar a ‘‘Act Order’’, que no jargão da Aliança significa ordem de ataque, os planos e objetivos que serão entregues aos militares poriam o dispositivo aéreo preparado pelos Estados-membros a apenas ‘‘algumas horas’’ de um bombardeio.
Os aviões da Otan estariam preparados para intervir ‘‘em poucas horas’’, destacou ontem o porta-voz da Aliança, Jamie Shea, em declarações à rádio BBC britânica.
A Otan reuniu mais de uma centena de aviões, além de navios, para participar da operação, que se iniciaria com o lançamento de mísseis-cruzeiro americanos Tomahawk de barcos ou submarinos, provavelmente contra radares e centros de comunicações sérvios.
Aos Tomahawk se seguiriam os aviões-caça e bombardeiros, que atacariam alvos do dispositivo militar sérvio.
Embora uma decisão final deva ser tomada no mais alto nível político entre os membros da organização, fontes da Otan informaram que na sede da Aliança os diplomatas estudavam ontem a declaração do secretário-geral da Onu, Kofi Annan, para ver se ele aprovará uma ação militar.
Diante da eventualidade de ser darem luz verde à operação ainda esta semana, os responsáveis militares aceleraram seus estudos sobre a opção militar: a mobilização de uma força para garantir um cessar-fogo em Kosovo.
Os militares da Otan estimaram que a vigilância de um cessar-fogo em Kosovo iria requerer 26 mil homens, número ainda considerado muito alto, segundo os diplomatas da Aliança que pediram para revisá-lo para baixo.
As autoridades militares, reticentes por princípio a uma intervenção em Kosovo, que envolva a mobilização de forças terrestres, vêm considerando nos últimos meses serem necessários 60 mil soldados para realizar uma operação de imposição do cessar-fogo entre as forças sérvias e os rebeldes do Exército de Libertação de Kosovo (UCK).
‘‘Estamos trabalhando ativamente sobre a opção terrestre e acredito que serão tomadas decisões a respeito esta semana’’, afirmou o porta-voz da Otan, Jamie Shea.

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