Otan não vê retirada e amplia ataques
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terça-feira, 11 de maio de 1999
Associated Press 
Ao intensificar as operações de bombardeio da Iugoslávia (630 missões num único dia), a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) classificou ontem, em Bruxelas, de invisível a anunciada retirada de tropas iugoslavas de Kosovo.
Não podemos aceitar como retirada o deslocamento de 10 mil homens daquele território, enquanto 30 mil prosseguem ali a política de repressão e limpeza étnica, reagiu o porta-voz da Otan, Jamie Shea. A campanha aérea, portanto, vai prosseguir.
O porta-voz da aliança não confirmou a derrubada pela artilharia antiaérea sérvia de um caça-bombardeiro perto da cidade de Gruza (centro da Sérvia), anunciada por Belgrado. Desconhecemos a existência de qualquer problema com nossos aviões, ressaltou Shea. Segundo testemunhas, o aparelho chocou-se contra o monte Gledijske e o piloto salvou-se, lançando-se de pára-quedas. Ele teria descido num local entre os povoados de Cestin, Bajcetina e Sibnica.
O porta-voz da Otan limitou-se a fazer um relato dos principais alvos atingidos durante o dia de ontem: os aeroportos de Sjeniva e Ponikve, QGs do Exército em Belgrado, Pancevo e Valjevo, sete emissoras de rádio militares, uma repetidora da Rádio e Televisão Sérvia (RTS) em Subotica, oito pontes rodoviárias, um pontilhão ferroviário, uma fábrica de explosivos e três depósitos de combustível.
Em Belgrado, as autoridades iugoslavas acusaram a Otan de ampliar os ataques, apesar da retirada de soldados de Kosovo. As sirenes voltaram a soar na cidade que ontem recebeu o prefeito de Lisboa, João Soares - o único político de um país europeu pertencente à Otan a aceitar convite da prefeitura local para verificar os estragos. Estou aqui para demonstrar minha oposição aos bombardeios, justiticou ele.
Segundo as autoridades iugoslavas, cinco pessoas morreram e 21 ficaram feridas no 49º dia da Operação Força Aliada. Entre os feridos está um amigo pessoal do presidente Slobodan Milosevic: o ex-ministro da Indústria sérvio Duzan Matikovic. Ele foi atingido por um estilhaço de bomba, quando visitava as ruínas de uma fábrica, a Energogas, no setor industrial de Nis. Na explosão, morreram duas pessoas.
A agência estatal iugoslava Tanjug informou que outras três pessoas - entre as quais uma menina de quatro anos - foram mortas na localidade de Staro Gradsko (20 quilômetros ao sul de Pristdina, capital de Kosovo). A província está sofrendo ataque sem trégua da aliança agressora, acrescentou a agência.
Segundo ainda a agência iugoslava, aviões da Otan lançaram novamente projéteis sobre a zona industrial de Cacak e destruíram uma repetidora de televisão no monte Ovcar.
Montenegro também foi alvo dos caças-bombardeiros, que destruíram uma ponte rodoviária estratégica em Murino (norte da pequena república iugoslava).
Em Tirana, observadores da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) disseram ter visto aviões iugoslavos atacando posições do Exército de Libertação de Kosovo (ELK) perto da fronteira albanesa. Um caça-bombardeiro MiG iugoslavo teria sido derrubado pelos guerrilheiros e caído em território albanês, revelaram testemunhas citadas pelos observadores.
A OSCE informou que 30 guerrilheiros do Exército de Libertação de Kosovo (ELK) foram levados a um hospital na cidade albanesa de Bajram Curri. Uma fonte do ELK, falando em condição de anonimato, disse que três rebeldes morreram e 20 ficaram feridos quando um avião sérvio atacou posições rebeldes em Djakovica, no sul de Kosovo.
No dia anterior, o Exército iugoslavo havia atribuído a retirada parcial de tropas de Kosovo ao que classificou de eliminação completa do denominado Exército de Libertação de Kosovo.
O porta-voz da Otan, Jamie Shea, admitiu que o ELK sofreu pesadas baixas nos últimos dias. Mas continua respirando, apesar das tentativas das forças sérvias de cortar a qualquer preço seus corredores de suprimento, acrescentou Shea.
Em meio a esse clima, o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) dirigiu apelo à comunidade internacional para aumentar a ajuda em dinheiro aos cerca de 750 mil refugiados, abrigados em campos improvisados na Albânia e na Macedônia. A situação nesses locais é precária e cresce a tensão entre os albaneses étnicos ali confinados.


