Bruxelas - Os 19 países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) não chegaram a um acordo ontem sobre os pedidos de apoio dos Estados Unidos em caso de intervenção militar no Iraque, anunciou o secretário-geral da aliança militar ocidental, George Robertson.
Os embaixadores da Otan tentavam decidir se aceitam o apelo feito há duas semanas pelos Estados Unidos aos seus aliados de uma série de medidas, sobretudo para proteger a Turquia, único país da Otan que compartilha fronteira com o Iraque, no caso do ataque americano.
A Otan está dividida principalmente entre americanos e britânicos, apoiados por vários países, e franceses, alemães e belgas, que querem esgotar a via diplomática antes de se comprometerem num eventual ataque.
O debate travado dentro da Otan é o primeiro teste da reação dos aliados ao pronunciamento do secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, a respeito do Iraque. Powell apresentou quarta-feira ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) várias fitas de áudio e fotografias que, segundo Washington, mostram que o Iraque continua em ''patente violação'' das exigências da ONU, possui um programa de armas biológicas e tenta fabricar armas nucleares.
O Governo alemão se mostrou ''preocupado'' ante as provas apresentadas pelo secretário de Estado americano . ''Como os demais países, a Alemanha está preocupada com a apresentação dessas provas, segundo as quais o Iraque ainda conserva armas de destruição em massa'', declarou o porta-voz do Governo, Bela Anda, em um comunicado.
Do mesmo modo, o porta-voz adiantou que ''os inspetores devem ter o tempo e os meios necessários para fazer seu trabalho. Por isso, apoiamos a proposta francesa para ampliar e intensificar as inspeções no Iraque''.
O ministro de Defesa da Bélgica, Andre Flahaut, cujo país ficou ao lado da França e da Alemanha no bloqueio a uma decisão a ser tomada pela Otan, disse que o discurso de Powell não havia mudado nada no debate. ''Acho ser apropriado que a Otan continue hoje a adiar uma decisão e que não tente provocar uma situação'', declarou Flahaut a uma rádio belga.

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