Otan mata suspeito de crime de guerra
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quinta-feira, 10 de julho de 1997
France Presse Saravejo 
Tropas britânicas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) mataram um suspeito de crimes de guerra e detiveram outro ontem, informou a Força de Estabilização da Otan (SFOR). Foi a primeira vez que as forças da Aliança Atlântica na Bósnia lançaram uma operação contra pessoas procuradas pelo Tribunal Internacional de Crimes de Guerra. Esta operação dupla, que terminou com a detenção de Milan Kovacevic e a morte do ex-chefe de polícia de Prijedor, Simo Drljaca, responde às pressões cada vez mais insistentes da comunidade internacional para a detenção dos acusados de crimes de guerra. A liberdade deles é considerada um grande obstáculo à paz na Bósnia.
Anteontem, o secretário geral da Otan, o espanhol Javier Solana, afirmou em Madri que os criminosos de guerra precisam ficar onde devem, isto é, no Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia. Lembrou que o atual comando das tropas das Forças de Estabilização da Otan (SFOR) não prevê que estas tropas ponham em marcha operações especiais para deter os culpados, mas podem detê-los, se os encontrarem em suas missões habituais.
No entanto, as circunstâncias da detenção de Kovacevic, no próprio interior do hospital de Prijedor, do qual é diretor, testemunham claramente uma mudança de vontade política por parte dos estados que integram a SFOR, com os Estados Unidos à frente, estimam fontes diplomáticas ocidentais.
A SFOR nunca havia participado de uma operação deste tipo, pois a detenção de criminosos de guerra pressupõe um risco importante para seus homens, para a estabilidade do país e para a comunidade estrangeira, destacava um observador estrangeiro.
A operação dupla de ontem foi levada a cabo por elementos britânicos da SFOR implantados no noroeste da Bósnia, mas com o apoio logístico de tropas norte-americanas, segundo fontes ocidentais em Sarajevo, confirmando informações fornecidas por um alto dirigente norte-americano em Varsóvia. Esta operação faz ressurgir as especulações sobre uma possível detenção do ex-líder dos sérvios da Bósnia, Radovan Karadzic.
O comando da SFOR se aplica a Karadzic mais que a qualquer outra pessoa, estimavam fontes militares. A guerra que explodiu no início do mês entre Biljana Plavsic, presidenta da República Srpska (RS, entidade dos sérvios da Bósnia), e os outros dirigentes da RS próximos a Karadzic, levou os ocidentais a apontarem abertamente o ex-presidente como responsável pela crise e pelo bloqueio do processo de paz. Karadzic, acusado de genocídio e de crimes contra a humanidade, saiu da vida pública mas continua dominando a RS.


