A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) decidiu ontem manter o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, sob pressão por considerar ‘‘insuficientes’’ as medidas adotadas por ele para reduzir a tensão em Kosovo - a província sérvia habitada por albaneses étnicos (98% da população).
A aliança conta com o apoio do Grupo de Contato que, em sua reunião de ontem, acolheu com alívio a decisão de Milosevic de revogar o decreto de expulsão do embaixador americano William Walker, chefe dos verificadores da Organização para Cooperação e Segurança na Europa (OSCE), que zelam pelo cumprimento do acordo de cessar-fogo de 12 de outubro. E decidiu impor um plano de paz, de iniciativa dos Estados Unidos, aos iugoslavos.
‘‘O embaixador Walker vai ficar ali até o fim de sua missão’’, disse o general americano Wesley Clark, comandante militar da Otan, ressaltando, no entanto, que o presidente iugoslavo nada fez para diminuir a violência na província (ontem, rebeldes sequestraram seis sérvios, todos idosos). ‘‘A atividade da Iugoslávia naquela região deve restringir-se ao policiamento de rotina dos tempos de paz’’, advertiu.
A Otan não parece ter dúvidas quanto à responsabilidade da polícia sérvia no massacre de 45 albaneses étnicos, ocorrido dia 15 em Racak (25 quilômetros ao sul de Pristina).
Apoiado pelo chefe da comissão militar da Otan, o general alemão Klaus Naumann, Clark revelou que já selecionou os alvos militares iugoslavos que serão destruídos pela Força Aérea da aliança. Um total de 400 caças-bombardeiros aguardam, em bases italianas e porta-aviões estacionados no Mar Adriático, sinal verde para iniciar o ataque.
Tanto o presidente americano, Bill Clinton, quanto o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, reafirmaram ontem que Milosevic deve ser mantido em xeque. Em conversa por telefone, os dois concordaram também que a opção militar deve ser precedida da política, destacou o chanceler britânico Robin Cook. O chefe da diplomacia britânica presidiu a reunião do Grupo de Contato - formado por EUA, Grã-Bretanha, Rússia, Alemanha, França e Itália. O grupo decidiu ‘‘forçar’’ as partes (iugoslavos e albaneses étnicos) a aceitar os termos de um plano de paz apresentado há alguns meses por Washington e rejeitado por Belgrado. Ele prevê, em linhas gerais, a designação de um ‘‘governo limpo’’ para Kosovo, que preparará eleições democráticas, e a criação de uma ‘‘polícia limpa’’.France-PresseMecânico francês deixa Mirage pronto para bombardear a IugosláviaReuters

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