Otan lança mais ataques à Iugoslávia
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domingo, 28 de março de 1999
Das agências 
France PresseDois aviões B-52 partiram da base inglesa para lançar mísseis cruise sobre a IugosláviaA Otan lançou ontem mais uma grande onda de bombardeios na Iugoslávia para pôr fim ao que membros da aliança chamaram de genocídio contra albaneses étnicos na província sulista sérvia de Kosovo.
Cerca de 60 aviões de combate, incluindo caças-bombardeiros invisíveis F117, um dos quais caiu na Iugoslávia no sábado, partiram da base de Aviano, na Itália, na noite de ontem para o quinto dia da violenta campanha.
A Otan estimou que meio milhão de albaneses étnicos foram até agora forçados a sair de suas casas na turbulenta província onde eles são a grande maioria da população.
O presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, não mostrou sinais de que abandonará sua resistência a um plano de paz patrocinado internacionalmente para Kosovo, mas autoridades francesas afirmaram que uma iniciativa russa seria um fator-chave para o fim da crise.
O high-tech Nighthawk F-117 caiu sábado a oeste de Belgrado em circunstâncias que o Pentágono anunciou não são claras. A Iugoslávia garante que abateu o avião.
O piloto foi resgatado e levado de volta para a Itália, de onde saíram ontem mais de 80 missões na Segunda Fase da Operação Força Aliada, visando anular tanques e artilharia atacando os kosovares.
Em Belgrado, o presidente Milosevic reuniu-se com líderes do governo e das forças armadas e declarou que o país está em condições de manter sua resistência.
Enquanto grandes explosões sacudiam a cidade, o ministro da Defesa britânico, George Robertson, prometendo colocar à disposição da campanha mais uma dúzia de aviões de combate, afirmou: Estamos confrontando um regime que planeja genocídio.
Em Washington, o presidente americano, Bill Clinton, disse que os líderes dos países da Otan, incluindo França, Grã-Bretanha, Alemanha e Itália, afirmaram a ele que compartilham a determinação para responder fortemente à continuação da campanha do senhor Milosevic de violência desumana contra o povo albanês kosovar.
Isto é o que pretendemos fazer, acrescentou.
O porta-voz da Otan Jamie Shea disse que Belgrado estava levando à frente uma sistemática campanha contra a população albanesa kosovar em geral - as pessoas que os ataques aéreos da Otan visam proteger.
Estamos à beira de uma grande catástrofe humanitária em Kosovo, uma do tipo que não temos visto na Europa desde as últimas fases da Segunda Guerra Mundial, afirmou.
Enquanto refugiados chegavam em grande número à Albânia, ele disse que mais de 500 mil albaneses étnicos, um quarto da população de Kosovo, tiveram de deixar suas casas - cerca de 50 mil nos últimos dias.
Albaneses étnicos em Kosovo falaram a contatos em Londres que unidades paramilitares sérvias estavam rondando a capital provinciana de Pristina, pilhando e queimando lojas albanesas, e que quase metade da cidade de Djakovica parecia ter sido demolida ou estava em chamas.
Eles disseram que a polícia sérvia também estava esvaziando de albaneses étnicos bairros de Pec, norte de Djakovica, e colocando fogo em casas.
Não houve nenhuma confirmação independente das supostas atrocidades já que monitores internacionais foram retirados de Kosovo antes do início dos ataques aéreos, e a Sérvia expulsou a maioria dos repórteres estrangeiros.
O vice-primeiro-ministro iugoslavo, Vuk Draskovic, negou que seu país esteja cometendo genocídio, falando à rede CNN: Não, absolutamente não... Precisamos dos albaneses em nosso estado. Ninguém tem esta estratégia de genocídio... Os albaneses estão cometendo esse crime contra nós.
Em Montenegro, república irmã da Sérvia, onde a Otan continuou a alvejar instalações militares da Iugoslávia apesar do apoio ocidental à frágil democracia da república, autoridades apelaram pelo fim dos ataques.
O resultado dos bombardeios tem sido a radicalização das posições. O apoio à Milosevic tem sido solidificado, afirmou o vice-primeiro-ministro Dragisa Burzan.
O efeito psicológico aqui e, numa magnitude bem maior, na Sérvia, é o oposto do que a Otan desejava.


