Associated Press
De Ljubenic
Soldados de paz da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) isolaram ontem uma área montanhosa na província sérvia de Kosovo onde, segundo moradores, forças de segurança sérvias teriam massacrado até 350 pessoas, atirando em algumas e jogando outras em abismos. Os corpos poderiam estar espalhados em vales entre montanhas e gargantas de riachos para onde, afirmam sobreviventes albaneses étnicos, eles fugiram em meio à neve do início de abril para escapar das forças de segurança sérvias.
‘‘Em 1º de abril, a polícia sérvia cercou nossa vila. Eles separaram as mulheres e crianças dos homens e disseram a eles para irem para a Albânia. Depois disso, eles executaram dois homens da vila na frente de nós e então eles começaram a atirar em nós usando todo tipo de arma’’, disse Sadik Jamurati, um morador que afirma ter sobrevivido ao massacre. Moradores falam que umas 80 pessoas foram mortas naquele dia em vilas da região.
Segundo relatos, forças sérvias cercaram Ljubenic e as vilas próximas de Streoc Zhebel e Rausic, e deram aos moradores cinco minutos para juntar seus pertences e partir. Soldados de paz da Otan isolaram a área para proteger evidências para investigadores do tribunal internacional de crimes de guerra. Eles também queriam examinar se havia minas terrestres na região.
Os soldados da Otan ouviram de moradores que poderia haver corpos de até 350 pessoas massacradas ao redor de Ljubenic, mas que os soldados ainda não podiam confirmar o número.
Por outra parte, intensificando protestos contra o presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, a frente opositora Aliança pela Mudança anunciou ontem que promoverá segunda-feira em Belgrado coleta de assinaturas pedindo a renúncia do presidente. O abaixo-assinado já corre em várias cidades sérvias.
A pressão política contra Milosevic também está crescendo: as Câmaras Municipais de Nis (a terceira maior cidade iugoslava, no sul do país) e Sombor (no norte) aprovaram ontem declarações pedindo a renúncia do presidente. Várias outras câmaras municipais já fizeram o mesmo, incluindo a de Novi Sad, a segunda maior cidade iugoslava.
Ainda ontem, milhares de manifestantes concentraram-se no centro de Leskovac pelo quinto dia seguido exigindo a renúncia de Milosevic e do governador regional, aliado do presidente. O protesto de ontem reuniu 2,5 mil pessoas.

mockup