Otan guarda monges que abrigaram os albaneses étnicos
Associated Press
Quando as tropas sérvias que se retiravam de Kosovo saquearam a cidade de Decane, o abade ortodoxo local abrigou aldeãos albaneses étnicos dentro dos muros de pedra de seu monastério do século 14, além de enviar monges para as casas daqueles que permaneceram do lado de fora para guardá-los com seus próprios corpos.
Ontem, era a Otan que estava guardando o monastério, com 20 monges e vários sérvios amontoados do lado de dentro, temendo por ataques dos albaneses de Kosovo contra a muitas vezes odiada e temida Igreja Ortodoxa. Odiada, talvez, mas não pelos albaneses étnicos de Decane. Se eles tentar matá-los, terão de nos matar primeiro, disse o aldeão de etnia albanesa Shaban Bruqi sobre os monges. Eles nos salvaram.
De sábado a segunda-feira, quando alguns soldados sérvios saíram em uma tentativa final de incendiar casas, sacar e estuprar, o abade transformou o seu monastério em um oásis de paz tanto para sérvios como para albaneses.
Foi um ato raro em Kosovo. Fé e pátria são quase uma coisa só tanto para os sérvios ortodoxos como para os albaneses étnicos, predominantemente muçulmanos. Era o ato cristão a ser realizado, disse o abade serenamente. Era a coisa humana para se fazer, concluiu.
A cidade fora do monastério agrupava aproximadamente 6 mil albaneses étnicos e 700 sérvios antes da guerra. Depois do conflito, sobraram apenas 350 albaneses, que tiveram sua mesquita reduzida a ruínas





