Otan faz o maior ataque na Iugoslávia
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quarta-feira, 12 de maio de 1999
Associated Press 
Mobilizando 120 aviões em 600 missões, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) desfechou ontem o mais duro e bem-sucedido bombardeio da Iugoslávia (Sérvia e Montenegro) desde o início da Operação Força Aliada, em 24 de março.
O êxito da operação foi ressaltado por todos os membros do Estado-Maior da aliança e admitido pelo presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, que, pela primeira vez, confirmou um grande número de baixas nas tropas sérvias em Kosovo.
O resultado dos ataques superou todas as expectativas, exultou o general norte-americano Wesley Clark, comandante supremo das forças da Otan. Todos os aviões retornaram às bases, acrescentou o porta-voz da aliança, Jamie Shea. Ele não confirmou o número de vítimas civis desse ataque (sete mortos e 30 feridos), denunciado por Belgrado.
France PresseA China recepciona restos de mortos e os feridos em BelgradoForam atacadas unidades do Exército e da polícia sérvia em Kosovo, destruídos oito pontes rodoviárias e ferroviárias, cinco aeroportos e cinco caças MiG-21, além de tanques, vários tipos de blindados, caminhões militares de transporte e depósitos de combustível e armas, informou o porta-voz militar da instituição, general alemão Walter Jertz.
Participaram da missão caças-bombardeiros F-15, F-16, F-18 e F-117A (invisível ao radar), aviões EA-6B (guerra eletrônica) e Awacs (de radar). Todos levantaram vôo da base aérea italiana de Aviano (80 quilômetros da fronteira eslovena).
As próximas missões devem sair também de bases na Turquia, colocadas ontem à disposição da Otan pelo governo turco. Também deverão participar logo dos combates os helicópteros antitanque Apache. Já estão prontos para entrar em ação, disse o secretário-geral da Otan, Javier Solana, que percorreu campos de refugiados na Albânia e na Macedônia.
Solana, que não quis fazer comentários sobre o 50º dia da campanha aérea, garantiu aos governantes de Tirana e Skopje que a Otan impedirá qualquer tipo de agressão de Belgrado contra os dois países.
Segundo a agência iugoslava Tanjug, o inimigo (Otan) voltou a atacar alvos civis, matando sete pessoas e ferindo mais de 20, muitas delas com gravidade. Dezenas de soldados deram a vida pela pátria, disse Milosevic, em declaração divulgada pela agência, referindo-se ao prolongado ataque da aviação aliada em Kosovo - cerca de 30 horas ininterruptas. O sacrifício deles é um brilhante exemplo de bravura e devoção à causa, que jamais será esquecido pelo povo.
A agência iugoslava independente Beta informou que bombas de fragmentação caíram à tarde sobre a Praça Santo Sava, no centro de Nis - a terceira maior cidade da Sérvia e uma das mais visadas pelos estrategistas da Otan.
Vários civis ficaram feridos, disse o prefeito Zoran Zickovic, entrevistado pela agência. Ele acrescentou que dezenas de projéteis alcançaram o principal aeroporto da cidade, um QG do Exército e um depósito de combustível na zona industrial.
Segundo a Tanjug, bombas de fragmentação foram lançadas também sobre as cidades de Ladjovac, Leskovac, Kragujevac e Kraljevo. Não dispomos de detalhes sobre essas agressões, não sabemos se há civis feridos, disse um porta-voz militar sérvio.
Ele não confirmou a queda de cinco MiGs-21, anunciada pela Otan. Um desses caças-bombardeiros foi derrubado em Kosovo, depois de burlar o sistema de vigilância eletrônico da aliança e atacar uma coluna de guerrilheiros do Exército de Libertação de Kosovo (ELK), perto da fronteira albanesa.
Um porta-voz da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) disse que 30 guerrilheiros ficaram feridos - 17 com gravidade. Estes foram recolhidos por dois helicópteros do Exército albanês e levados para hospitais em Tirana.
O ELK acusou o Exército iugoslavo de utilizar armas químicas nos combates que ocorrem ao longo da fronteira albanesa. O porta-voz da Otan, Jamie Shea, não comentou essa denúncia, mas confirmou a derrubada do MiG-21 (que caiu em território albanês). Ele não soube dizer exatamente quem atingiu o aparelho - se foram guerrilheiros ou artilheiros da Otan, instalados em navios ao longo do litoral iugoslavo.
No plano diplomático, o presidente francês, Jacques Chirac, viajou para Moscou, onde hoje analisará a crise de Kosovo com seu colega russo Boris Yeltsin. O presidente russo ameaçou abandonar as negociações diplomáticas do conflito se a Otan não der atenção a suas novas propostas.
Mergulhado numa grave crise política (v. págima 10), Yeltsin não deu detalhes sobre o plano, que expôs ao subsecretário de Estado americano, Strobe Talbot. O ministro da Defesa britânico George Robertson disse esperar que a destituição do primeiro-ministro russo Yevgeny Primakov não influa na posição construtiva demostrada até agora por Moscou. O chanceler russo, Igor Ivanov, assegurou que a missão do negociador russo Viktor Chernomyrdin não sofrerá solução de continuidade. Chernomyrdin deveria se reunir ontem em Helsinque com o presidente finlandês, Martti Ahtisaari, apontado como homem-chave do Ocidente na busca de um acordo de paz nos Bálcãs.


