Dois meses depois de ter empreendido a primeira guerra de sua história, contra a Iugoslávia de Slobodan Milosevic, a Otan afirma entrever alguns promissores sinais de debilidade do regime de Belgrado, mas sente também as primeiras rachaduras na unidade de seus membros.
A Força Armada da Otan (cerca de mil aviões de guerra), que devia supostamente obrigar o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, a se render em poucos dias, acaba de registrar, dois meses mais tarde, as primeiras indicações objetivas de êxito. A estratégia muito criticada de uma guerra inteiramente aérea ‘‘começa a fazer efeito’’, havia declarado o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, durante sua visita à sede da Otan na semana passada.
O porta-voz da Aliança, o britânico Jamie Shea, consegue finalmente ilustrar seu discurso de guerra cotidiano com alguns fatos precisos. Já não há dúvidas para os ocidentais de que o exército iugoslavo está diante de centenas de casos de deserção, queda no moral das tropas e aumento do descontentamento em várias cidades da Sérvia, diante da política de Milosevic e do envio de militares reservistas e recrutas a Kosovo.
A melhoria nas condições de tempo, nas últimas duas ou três semanas, permitiram aumentar o desempenho militar.
Os aviões da Otan, que para se preservar da defesa antiaérea Iugoslava, voam a mais de 5.000 metros de altitude, necessitam de céu limpo para atacar as tropas iugoslavas em Kosovo, os tanques e suas peças de artilharia.
O chefe militar da Otan, o general Wesley Clark, afirmou diante dos embaixadores dos 19 países-membros da Aliança que as operações contra as tropas iugoslavas em Kosovo haviam aumentado nos últimos dias.
Os resultados parecem tardios. Os bombardeios da Otan, que não foram eficazes nos primeiros dias de conflito, não puderam impedir o êxodo da população albanesa do Kosovo, que se encontra atualmente espalhada em vários acampamentos de refugiados na Albânia, Macedônia e Montenegro.
Ao mesmo tempo, a maioria dos países-membros da Aliança deve fazer frente à opinião pública cada vez mais sensível aos mortos civis provocados pelos bombardeios da Otan.
Em dois meses, os militares da Aliança admitiram nove erros fatais, que deixaram um saldo de pelo menos 225 mortos, segundo balanços sérvios.
Washington afirma, porém, que graças à tecnologia esta é a campanha aérea ‘‘mais precisa da História’’.
Otimismo O chanceler alemão, Gerhard Schroeder, afirmou que as conversações entre o presidente filandês, Martti Antisaari, - mediador dos ocidentais para Kosovo - e o emissário russo Viktor Chernomirdin ‘‘nos aproximam de uma solução’’.
Schroeder disse, numa entrevista publicada pelo jornal dominical Bild am Sonntag, que sempre confiou nessas conversações.

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