Por mais que tente evitar, a força da Otan na Bósnia (Sfor) será pouco a pouco obrigada a tomar partido, correndo o risco, como aconteceu em Brcko (Nordeste da Bósnia) de que a considerem ocupante e inimiga.
A rádio dos ultranacionalistas de Pale não teve grande dificuldade em exacerbar os ânimos de milhares de manifestantes que se lançaram ao ataque aos soldados norte-americanos da Sfor no Nordeste da Bósnia, em Brcko ou Bijeljina.
Os países que fornecem o grosso das tropas da Força de Estabilização da Otan manifestaram claramente nas últimas semanas seu apoio a Biljana Plavsic, a Presidente da República Srpska (RS, entidade sérvia da Bósnia), em sua luta pelo poder contra os homens de Pale, Momcilo Krajisnik - integrante da Presidência colegiada - e, na sombra, o ex-Presidente Radovan Karadzic.
‘‘Plavsic comandante da Sfor’’, ironizou esta semana o Primeiro-Ministro sérvio Gojko Klickovic, que veio a Brcko incentivar uma multidão que pouca necessidade tinha de ser atiçada.
A operação do dia 17 passado em Banja Luka, centro do governo de Plavsic, constituiu um ponto de inflexão na ação da Otan, assinalaram os diplomatas.
Naquela operação, sob o pretexto inicial de impedir os movimentos ilegais das forças de polícia especiais fiéis a Plavsic, os soldados britânicos da Sfor neutralizaram de fato seus adversários.
Duas semanas depois, soldados britânicos continuam ocupando o quartel general e a escola de polícia de Banja Luka, bloqueando assim qualquer tentativa de golpe de Estado contra Plavsic.
Por isso, é difícil de acreditar quando repetem que a Força não toma partido.

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