Associated Press
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) chegou ontem a um acordo com Moscou sobre o envio de novos soldados de paz russos que se espera acalmarão temores da minoria sérvia em Kosovo que são frequentemente alvos de ataques revanchistas de refugiados retornados à província.
Pelo acordo, os reforços russos, que já poderiam chegar na manhã desta terça-feira, deverão patrulhar o setor norte da área controlada pelas tropas americanas, a parte noroeste da área alemã e uma pequeno pedaço do setor francês.
Enquanto isto, a agência para refugiados da ONU estimou em 589,6 mil dos mais de 860 mil refugiados, a maioria albaneses étnicos, que fugiram de Kosovo já retornaram para a província desde que as tropas da Otan começaram a entrar lá em 12 de junho.
Sadako Ogata, a Alta Comissária da ONU para Refugiados, em sua primeira visita a Kosovo desde a chegada das tropas da Otan, disse que o retorno dos refugiados estava ocorrendo de forma tranquila. Mas ela afirmou temer pela segurança das minorias sérvia e cigana na província. ‘‘Estamos tentando dar a eles garantias de segurança’’, disse ela.
A Acnur estima que mais de 71 mil sérvios de Kosovo já fugiram da província desde março de 1998, mas ela não especificou quantos partiram desde a chegada da Otan. Belgrado afirma que mais de 100 mil sérvios já fugiram de Kosovo.
Líderes da comunidade Sérvia de Kosovo exigiram ontem uma investigação internacional dos crimes contra sérvios na província e a suposta existência de campos de prisioneiros em Kosovo para sérvios.
‘‘Temos claras indicações de que campos para sérvios ainda existem em Kosovo’’, afirmaram o bispo ortodoxo sérvio Artemije e o político sérvio kosovar Momcilo Trajkovic numa carta à agência independente de notícias Beta em Belgrado. Eles disseram que cabe aos soldados internacionais de paz determinar quem está controlando os campos e há quanto tempo eles existem.
Ontem, o ex-senador norte-americano Bob Dole, encerrando uma viagem em busca de evidências como chefe da Comissão Internacional de Pessoas Desaparecidas, visitou uma vala comum nas proximidades de Pec onde estariam os corpos de 97 albaneses étnicos que teriam sido assassinados por forças de segurança sérvias.
Em Genebra, uma iniciativa humanitária de quatro países, uma das primeiras a levar ajuda a Kosovo, informou que se concentrará agora na ajuda à Sérvia, já que a Organização das Nações Unidas ainda não está trabalhando lá. O diplomata suíço Walter Fust, falando sobre a iniciativa Focus - composta por Suíça, Rússia, Grécia e Áustria -, disse que poderia haver uma crise humanitária na Sérvia neste inverno devido aos danos causados pelos bombardeios.
A revista norte-americana Time informou ontem que o presidente Bill Clinton autorizou a CIA a ajudar a derrubar Milosevic, que foi indiciado por supostos crimes de guerra cometidos em Kosovo.
Hackers da CIA tentarão vasculhar as transações financeiras particulares de Milosevic, a agência tentará depositar dinheiro para organizações oposicionistas na Iugoslávia e recrutará dissidentes no governo de Belgrado e no exército iugoslavo, segundo a reportagem.

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