A ordem de ‘‘ativação militar’’ para um possível bombardeio aéreo de alvos militares na Iugoslávia, por flagrante violação dos acordos de cessar-fogo em Kosovo de 12 de outubro, foi dada às forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), informou ontem a secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright. Segundo ela, o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, recebeu uma ‘‘clara advertência’’ do general americano Wesley Clark, comandante militar da Otan, e de seu acompanhante, o general alemão Klaus Naumann, chefe da comissão militar, que estão em Belgrado. ‘‘Milosevic deve também revogar imediatamente o decreto de expulsão do embaixador William Walker’’, acrescentou Albright. ‘‘Os iugoslavos brincam com fogo’’.
O americano Walker é chefe da missão de verificadores da Organização para Segurança e Cooperação na Europa, encarregados de zelar pelo cumprimento das cláusulas do acordo, que propõe uma saída política para o conflito de Kosovo - província sérvia cuja população é, em sua maioria esmagadora, de origem albanesa.
Ao fim de uma reunião com Milosevic pela manhã, o general Clark disse que o presidente sérvio concordou em prorrogar por mais 24 horas o ultimato de 48 horas dado a Walker para deixar o território iugoslavo. O diplomata americano acusou os sérvios do massacre de pelo menos 45 civis albaneses étnicos na aldeia de Racak (25 quilômetros ao sul de Pristina, a capital de Kosovo), ocorrido na sexta-feira. ‘‘Creiam, nossa mensagem é muito clara e direta’’, disse Clark. ‘‘Não estamos brincando, o tempo está se esgotando.’’
Num segundo encontro com o presidente iugoslavo à tarde, o general Clark pretendia resolver outros assuntos pendentes: a retirada imediata das forças sérvias que executam um ‘‘trabalho de limpeza de terroristas’’ perto da aldeia de Racak e permissão para o ingresso no país da procuradora do Tribunal Penal Internacional para crimes de guerra na ex-Iugoslávia, Louise Arbour, que se encontra na Macedônia. A missão dela é investigar o massacre de Racak.
O assessor de segurança nacional da Casa Branca, Samuel Berger, reiterou que a opção militar ‘‘continua de p钒. Por sua vez, o embaixador dos EUA na Otan, Alexander Vershbow, ressaltou que ‘‘os ataques dos aviões da aliança podem ser iminentes’’.
Embora condenando o massacre, a Rússia reiterou que não vai tolerar uma intervenção militar. O embaixador russo na ONU, Serguei Lavrov, disse que Moscou pretende debater uma alternativa na reunião do Grupo de Contato, em Bruxelas. A China e o Irã somaram-se ontem aos países ocidentais na condenação da chacina.
Esta nova crise em Kosovo representa mais um revés para a diplomacia americana, que atravessa um delicado momento.

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