Apesar da forte oposição da Rússia, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) recebeu ontem a chamada ordem de ativação - sinal verde para ataques aéreos contra alvos militares sérvios - de seus 16 membros, reunidos em Bruxelas, que exigem da Iugoslávia (Sérvia e Montenegro) cessar-fogo em Kosovo e maior autonomia política para os albaneses étnicos, maioria esmagadora da população daquela província sérvia.
‘‘A decisão não significa bombardeio imediato’’, explicou um porta-voz da Otan, referindo-se a um novo contato que o negociador americano Richard Holbrooke deverá manter hoje, em Belgrado, com o presidente iugoslavo Slobodan Milosevic.
Holbrooke passou o fim de semana tentando convencer Milosevic a cumprir a resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre a crise de Kosovo: retirada imediata das tropas iugoslavas do território, facilidades para o regresso de 300 mil refugiados e início de negociações sérias, além de outras providências. ‘‘Milosevic deve acatar todas as exigências da ONU’’, acrescentou o porta-voz, para concluir: ‘‘Os aliados querem 100%. 97% ou 98% não interessam.’
Após seu último encontro com Holbrooke, Milosevic mandou divulgar nota oficial, publicada pela agência iugoslava Tanjug, na qual afirma que ‘‘existem, sem dúvida, condições necessárias para uma solução política e pacífica do conflito’’.
Segundo ainda a agência iugoslava, ficaram pendentes questões relacionadas a pedidos da ONU de julgamento de militares e policiais sérvios suspeitos de crimes de guerra e contra a humanidade, ocorridos em Kosovo.
Em Moscou, o primeiro-ministro russo Yvgueni Primakov telefonou para o secretário-geral da Otan, Javier Solana, renovando a oposição da Rússia ao recurso às armas. ‘‘Será um desastre’’, disse ele, acrescentando que seu governo dispõe de um leque de opções para reagir. Entre as medidas citadas, está uma revisão dos vínculos com a Otan e o fim do embargo russo ao fornecimento de armas à Iugoslavia.
A posição do governo russo é apoiada pelo Partido Comunista, que controla a Duma (Câmara Baixa do Parlamento). ‘‘O recurso à força contra a Iugoslávia equivale a uma declaração de guerra à Rússia’’, afirmou o líder comunista Gennady Zyuganov. ‘‘No caso de um ataque, vamos apoiar a Iugoslávia com todas as nossas forças.’
Além de Solana, Primakov telefonou para o primeiro-ministro demissionário italiano, Romano Prodi, que, depois de muita relutância, acabou autorizando a Otan a utilizar suas bases na Itália. Mas ele garantiu ao primeiro-ministro russo que nenhum italiano participará da ação militar planejada pela aliança atlântica.
O gabinete alemão, liderado pelo chanceler Helmut Kohl (em fim de mandato), aprovou ontem o uso da força para ‘‘dobrar’’ Milosevic.
Apelo Seis presidentes da Europa fizeram ontem um apelo ao presidente iugoslavo Slobodan Milosevic para que acate ‘‘imediatamente’’ as exigências do Grupo de contato.
Os presidentes alemão, Roman Herzog, checo, Vaclav Havel, polonês, Aleksander Kwasniewski, húngaro, Arpad Goencz, esloveno, Milan Kucan e o austríaco Thomas Klestil, lembraram a Milosevic que, se não atender, serão necessárias ações ‘‘decisivas e coerentes’’ para resolver a crise em Kosovo, segundo um comunicado conjunto.

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