Otan denuncia limpeza étnica em Kosovo
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segunda-feira, 29 de março de 1999
Reuters 
A Otan denunciou ontem que cinco líderes étnicos albaneses foram mortos a sangue frio na última atrocidade em Kosovo, e admitiu que estava correndo contra o tempo para parar o que rotulou de limpeza étnica sérvia.
Enquanto milhares de refugiados fugiam de Kosovo, a Rússia preparava uma supermissão diplomática a fim de buscar uma solução pacífica para a crise e pôr um fim nos incansáveis bombardeios aéreos da Otan contra a Iugoslávia. Mas aviões de combate da Otan não davam pausa, decolando de bases na Itália e Grã-Bretanha para a sexta noite de ataques contra alvos militares da Iugoslávia.
Esta é uma campanha que está longe de terminar militarmente. Sabíamos que não seria um caso de três, quatro dias, de uma ou duas bombas, afirmou o comandante-supremo da Otan, general Wesley Clark.
Um porta-voz da Otan em Bruxelas afirmou numa entrevista coletiva que Fehmi Agani, um membro da delegação albanesa kosovar nas recentes conversações de paz na França, estava entre aqueles executados no domingo. Outro era Baton Haxhiu, editor-chefe do principal jornal albanês de Kosovo, Koha Ditore.
Ele disse que os assassinatos ocorreram depois que líderes albaneses étnicos participaram do funeral do advogado Bajram Kelmendi, que foi morto a tiros pela polícia sérvia junto com seus dois filhos na primeira noite de ataques da Otan na quarta-feira.
Autoridades sérvias na capital de Kosovo, Pristina, afirmaram à agência de notícias iugoslava Tanjug que não existem indicações de que cinco líderes albaneses étnicos teriam sido mortos.
A Otan considerou que seus bombardeios estavam tendo resultado, mas que percebeu que a situação é urgente e estava movendo o céu e a terra para alvejar a máquina militar do presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic.
A Casa Branca afirmou que os eventos em Kosovo parecem atender a definições de livros escolares de limpeza étnica, mas negou que os ataques aéreos deflagraram uma nova onda de tal atividade. Clark, da Otan, disse que Milosevic estava trabalhando muito, muito rápido, tentando apresentar ao mundo um fato consumado.
Mas os Estados Unidos e a Grã-Bretanha rejeitaram pedidos de alguns setores pelo envio de tropas terrestres. Haveria um claro banho de sangue se você chegar a isto... Não é uma opção sensível, afirmou o secretário de Defesa britânico, George Robertson.
Numa dramática tentativa de pôr fim à crise e aos ataques aéreos da Otan, o presidente russo, Boris Yeltsin, ordenou que o primeiro-ministro Yevgeny Primakov e seus ministros da Defesa e do Exterior fossem hoje a Belgrado a fim de conversarem com Milosevic. A Rússia se opõe vigorosamente aos bombardeios contra seus irmãos eslavos da Iugoslávia.


