O emissário norte-americano Richard Holbrooke continua oferecendo ao presidente iugoslavo Slobodan Milosevic uma solução diplomática para resolver a crise de Kosovo, mas os Estados Unidos já recomendaram a seus cidadãos que saiam da Iugoslávia diante da possibilidade, cada vez mais real, de um bombardeio a objetivos sérvios por parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
Holbrooke esteve ontem em Pristina, capital da província de Kosovo, para entrevistar-se com os dirigentes separatistas albaneses e voltou à tarde para Belgrado para reunir-se novamente com Milosevic, com o qual manteve sexta-feira duas reuniões, que duraram três horas cada uma.
‘‘Não temos realmente nada a declarar’’, disse ao terminar a última reunião, limitando a assinalar que ‘‘as discussões foram graves, como grave é a situação’’. Antes de ambas as entrevistas sustentou que ia advertir o presidente que a OTAN estava intensificando os preparativos para uma intervenção.
O Grupo de Contato (Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha, França, Alemanha e Itália) encarregou Holbrooke de levar uma última mensagem a Milosevic para que atenda as exigências internacionais. Do contrário, a OTAN realizará ataques aéreos contra objetivos sérvios.
O Grupo de Contato exige o fim das hostilidades em Kosovo, onde os iugoslavos de origem albanesa são maioria e lutam pela independência, a retirada das tropas sérvias, livre acesso para as organizações humanitárias, a volta dos refugiados e o início de negociações com os separatistas albaneses.
O descumprimento por parte de Belgrado das exigências do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a violência persistente praticada pelas forças de segurança sérvias contra os albaneses de Kosovo levou os membros da OTAN a tomar ‘‘medidas que poderiam conduzir a uma intervenção militar’’, explicou o Departamento de Estado (ministério da Defesa) dos Estados Unidos em um comunicado.
Embora Belgrado tenha oferecido garantias de que não haverá represálias contra cidadãos norte-americanos, ‘‘existe a possibilidade de reações espontâneas contra cidadãos dos Estados Unidos’’, preveniu a nota. O governo dos EUA recomenda que os que pretendem viajar à Iugoslávia que cancelem a viagem.
Estados Unidos e Grã-Bretanha se declararam dispostos a não esperar o consentimento da Rússia para intervirem militarmente. O uso da força também é defendido pelo futuro chanceler da Alemanha, Gerhard Schroeder. Para o primeiro-ministro francês Lionel Jospin, a situação em Kosovo é inaceitável. ‘‘Se os sérvios e Milosevic não atenderem à resolução 1199, a França assumirá suas responsabilidades junto a seus aliados da OTAN e sob os auspícios das Nações Unidos’’, declarou. O presidente francês Jacques Chirac confirmou por telefone a Bill Clinton que a França ‘‘participará de uma ação militar se não for aplicada, urgentemente, a resolução 1199 da ONU sobre Kosovo’’.
O chefe supremo das forças da OTAN, o general norte-americano Wesley Clark, afirmou sexta-feira em Nápoles (Itália) que todas as forças da Aliança Atlântica ‘‘estão prontas’’ para o ataque.
A Rússia, no entanto, voltou a advertir para ‘‘as graves consequências’’ que uma intervenção militar acarretaria e reafirmou sua firme oposição ao recurso à força para solucionar o conflito em Kosovo.

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