Otan ataca e líderes discutem a paz
Enquanto os mísseis da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) voltavam, na madrugada de ontem, a tirar temporariamente do ar as emissoras estatais de rádio e TV da Sérvia, o presidente americano, Bill Clinton, e o russo, Boris Yeltsin, discutiam por telefone os resultados da iniciativa diplomática de Moscou para pôr fim aos bombardeios. A divulgação das conclusões da conversa não foi autorizada nem por Yeltsin nem por Clinton.
Enviado pela Rússia, o ex-primeiro-ministro Viktor Chernomyrdin retornou na quinta-feira de Belgrado - depois de reunir-se com o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic - assegurando que os sérvios haviam aceitado a presença militar internacional na Província de Kosovo em troca do fim dos bombardeios. O governo da Iugoslávia, porém, desmentiu a notícia.
Ontem, após encontrar-se com Milosevic, em Belgrado, o líder comunista grego Charilaos Florakis afirmou que a Iugoslávia não mudou em nada sua posição, de não aceitar tropas estrangeiras em Kosovo em nenhum caso.
O mau tempo de ontem na região dos Bálcãs não permitiu que a Otan mantivesse a intensidade dos ataques dos últimos dias. Mesmo assim, além do centro de transmissão por satélite do rádio e da TV estatais, foram atacadas uma estação de geração de energia elétrica perto de Pristina e uma fábrica de bombas em Banja Koviljaca.
A TV sérvia retomou sua programação horas depois do ataque. A rádio voltou ao ar momentos depois do bombardeio, transmitindo numa outra frequência.
Foi o segundo ataque contra a emissora de televisão do governo sérvio. Na quinta-feira, a Otan destruiu o edifício onde funcionava a redação e os estúdios da emissora no centro de Belgrado, numa das ações militares da aliança mais criticadas por diplomatas estrangeiros. Segundo a agência de notícias oficial da Iugoslava, Tanjug, 16 civis - entre técnicos de TV e jornalistas - morreram no bombardeio à sede da TV.
Com a possibilidade de uma saída diplomática tornando-se mais distante a cada dia e a clara disposição dos líderes da Otan de não parar com os bombardeios até a capitulação total de Milosevic, a invasão da Iugoslávia por tropas terrestres é tida como iminente pelos analistas militares. Dezenas de helicópteros americanos Apache, próprios para apoiar o avanço de unidades de infantaria, já estão na Albânia, prontos para entrar em ação.
Nas próximas horas, devem chegar à Macedônia milhares de soldados britânicos e alemães. Os líderes de Romênia e Eslovênia também autorizaram a Otan a utilizar seu espaço aéreo e terrestre para as operações militares contra a Sérvia.
Num esforço para acelerar a decisão da aliança de enviar soldados para proteger a Província de Kosovo e garantir a segurança da população de origem albanesa no local, líderes do grupo guerrilheiro Exército de Libertação de Kosovo (ELK) ofereceram-se para comandar a invasão terrestre da Otan.
Oficiais da guerrilha em Kukes - na Albânia, perto da fronteira com a Sérvia - asseguram que, sob o comando do ELK, o número de baixas entre os soldados da aliança seria reduzido.
Temos grande experiência na região e já causamos muitas dificuldades aos militares sérvios, disse o porta-voz dos rebeldes, conhecido apenas pelo nome de código Leopardo II. Se tivermos armas melhores e a Otan apoiar nossa ofensiva com os Apaches, estou certo de que sairíamos vitoriosos.
O porta-voz do ELK assegurou ainda que o grupo está combatendo em vastas áreas de Kosovo. Mas não deu detalhes sobre onde esses combates têm ocorrido, recusou-se a dizer com quantos combatentes a guerrilha conta e não confirmou informações segundo as quais os rebeldes controlam territórios na província.France PresseOFENSIVAGuerrilheiros de Kosovo se oferecem para comandar a invasão terrestre Os rebeldes de Kosovo acreditam que, com o apoio dos helicópteros Apache, a vitória da ofensiva terrestre estaria asseguradaAgência Estado





