Os últimos desejos de João Paulo II
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de abril de 2005
France Presse 
Cidade do Vaticano - O Papa João Paulo II, deixou, como é tradição, uma lista de disposições que devem ser respeitadas depois de seu falecimento, entre elas que não sejam permitidas fotos do Sumo Pontífice agonizante ou morto.
As disposições foram publicadas em 1996 pelo Vaticano em um documento público sob o título Constituição Apostólica ''Universi dominici gregis'' (O rebanho universal do Senhor). ''Quando o Sumo Pontífice estiver agonizando ou depois de sua morte, ninguém tem o direito de tirar fotos dele nem, no primeiro caso, gravar suas palavras para divulgá-las posteriormente'', indica o documento.
Nenhuma documentação fotográfica ou sonora sobre os últimos momentos de vida de João Paulo II poderá ser transmitida, com exceção da que for permitida pelo cardeal camarlengo, atualmente o espanhol Eduardo Martínez Somalo, que assumirá de forma interina a chefia da Igreja em caso de morte do pontífice.
As disposições sobre os últimos momentos dos Papas foram estabelecidas por Paulo VI devido aos escândalos suscitados depois da morte de Pio XII, em 1958. Na época, o médico pessoal do pontífice, Galeazzi Lisi, publicou em um livro as fotos de Pio XII em seu leito de morte, com a máscara de oxigênio que cobria parte de seu rosto.
Segundo a tradição, que nem sempre é respeitada, o Papa será enterrado na basílica vaticana, perto do túmulo de São Pedro, indica o texto. A disposição pode ser alterada depois da leitura do testamento de João Paulo II que, segundo alguns compatriotas do Papa, expressou o desejo de ser enterrado no túmulo de sua família, em Wadowice, perto de Cracóvia, na Polônia. Outros desejos sobre seus bens, cartas, documentos pessoais, especificamente indicados no testamento, serão executados pela pessoa que o Papa tiver indicado.
É possível que o encarregado nesse caso seja seu secretário particular, monsenhor Stanislaw Dziwisz, que há 40 anos o acompanha e que deverá prestar serviços ao novo Papa. O documento indica também como deve ser organizado o Conclave, ou seja, a reunião de cardeais encarregados de eleger o sucessor de João Paulo II.


