Um ataque com mísseis a subúrbios de Cabul, capital do Afeganistão, atribuído às forças do oposicionista afegão Ahmed Shah Massud, causou ontem a morte de pelo menos 16 pessoas, de acordo com testemunhas. O regime da milícia integrista Taleban, contudo, denunciou a morte de mais de 180 civis.
A facção guerrilheira liderada pelo general Massud, que combate os talebans, é a única entre os grupos envolvidos na guerra civil afegã com capacidade militar para lançar ataques contra a capital. Os fundamentalistas do Taleban controlam 90% do território do país e confinaram todas as milícias que lhe fazem oposição, agrupadas numa coalizão militar para enfrentar os integristas, no norte do Afeganistão.
Segundo testemunhas, três mísseis do tipo Luna (projéteis de fabricação russa, de 4 metros de comprimento e capazes de atingir um alvo a dezenas de quilômetros de distância) foram lançados contra a capital. O primeiro caiu perto do aeroporto de Cabul, uma região pouco povoada, e o segundo atingiu um bairro residencial, destruindo três edifícios e causando sérios danos a outros quatro. O terceiro Luna caiu num mercado da cidade de Karte Parwan, a oeste da capital, num momento em que ele estava lotado. O Taleban afirma que pelo menos 100 pessoas morreram no mercado.
Irã Ao mesmo tempo em que enfrentavam seus inimigos internos, os talebans preocupavam-se com a deterioração de suas relações com o Irã, que ontem terminou o traslado de cerca de 200 mil soldados para as proximidades da fronteira com o Afeganistão. Eles juntaram-se a outros 70 mil homens da Guarda Revolucionária, para uma série de manobras militares que devem começar nos próximos dias.
O regime de Teerã, controlado por muçulmanos xiitas, acusa os talebans, que pertencem à seita islâmica sunita, do assassinato de oito diplomatas e um jornalista iranianos durante uma ofensiva da milícia no mês passado.
Para tentar acalmar a ira de Teerã, os talebans libertaram no sábado cinco prisioneiros iranianos, capturados em agosto e acusados de espionagem, como um ‘‘gesto de boa vontade’’. Outros cinco iranianos tinham sido libertados pelos sunitas no dia 3.
O presidente iraniano, o moderado Mohammad Khatami, conclamou ontem a comunidade internacional para ‘‘intensificar a pressão sobre o Taleban’’. Ele está em Nova York, onde discursa hoje na Assembléia-Geral das Nações Unidas.
Em Teerã, contudo, a linha dura do regime islâmico deixava clara ontem sua intenção de barrar a influência dos moderados liderados por Khatami. Outros dois jornais liberais, que fizeram críticas ao governo, foram fechados por ‘‘abuso da liberdade de imprensa’’.

mockup