O território da Iugoslávia sempre foi palco de invasões e dominações diversas que geraram séculos de ódio e intolerância. O Estado denominado Iugoslávia (eslavos do sul), somente surgiu em 1919 com a união dos Estados denominados Sérvia, Croácia, Eslovênia, Bósnia-Hezergóvina, Montenegro, parte da Macedônia e Província de Kosovo, integrante da Sérvia, porém com 90% de população albanesa, constituindo a Guerra na Iugoslávia um exemplo perfeito da diferença entre Estado e Nação. O primeiro, num conceito tradicional, pode ser entendido como sociedade politicamente organizada; enquanto que a segunda, refere-se aos laços que unem um determinado povo (língua, história, sentimento coletivo, etc.) que, nem sempre, estão presentes num Estado.
Em seus primeiros anos, o Estado iugoslavo buscou consolidar o próprio Estado; porém, com a ascensão de Hitler e a 2ª Guerra Mundial, um líder surgiu e, bravamente, lutou contra o poder alemão e a invasão soviética, fixando o território e o poder do Estado iugoslavo. O líder era de origem croata e idolatrado por todos. Chamava-se Josip Broz, mas atendia pelo nome de general Tito.
Com a morte do general Tito em 1980 e o fim do comunismo, aflorou o verdadeiro sentimento de nação de cada uma daquelas ex-repúblicas independentes (Sérvia, Croácia, Eslovênia, Bósnia-Hezergóvina, Montenegro, parte da Macedônia e Província de Kosovo) e, desde então, o mundo assiste a sucessivas guerrilhas separatistas, com um número excessivo de sangue onde o estupro é, também, uma arma de guerra... De um lado tenta-se libertar a nação e formar um Estado livre; de outro lado, o Estado da Iugoslávia busca manter o poder e o território.
Quase todas as repúblicas conseguiram independência com um altíssimo custo de vidas humanas (lembrem-se da Bósnia), consistindo o atual Estado iugoslavo, desde 1992, no seguinte: Sérvia, na qual integra a Província de Kosovo, com 90% de famílias albanesas e território considerado estratégico, porque rico em recursos minerais, e Montenegro. A província de Kosovo reclama autonomia administrativa, todavia, o Estado iugoslavo e seu presidente Slobodan Milosevic (partícipe do poder desde 1987) não admitem autonomia administrativa a Kosovo e ‘‘incentivam’’ os albaneses de Kosovo a deixar, sob pena de extermínio, o território iugoslavo. O medo sérvio de perder território é instigado todos os anos através de comemoração da Batalha de Kosovo, perdida para os otomanos em 1389, sendo que a dominação perdurou até 1864.
O extermínio, vulgarmente denominado de limpeza étnica, por parte dos iugoslavos sérvios contra a população albanesa da província de Kosovo, obrigada a largar tudo e deixar suas propriedades para não perderem a vida, caracteriza desrespeito aos direitos humanos objeto de proteção em inúmeros tratados internacionais. Para pôr fim a tal situação e obrigar a Iugoslávia a cumprir os tratados internacionais, foi decidido pela OTAN, liderada pelos Estados Unidos, após inúmeras tentativas frustradas e a ineficácia das sanções comerciais e econômicas, o bombardeio de pontos estratégicos. Contudo, o efeito imediato dos ataques foi o fortalecimento do presidente Milosevic, que passou a contar com o apoio dos habitantes da Iugoslávia (com a óbvia exceção dos albaneses) e da Rússia, provocando uma divisão delicada no mundo. Só para lembrar, a ascensão e o domínio de Hitler na Europa contou com um fato que muitos consideram análogo: o assassinato na França, em 1934, de Alexandre I, por um terrorista macedôneo.
Não obstante o apoio e a prontidão de diversos países em receber refugiados, alguns articulistas informam que os albaneses (da Província de Kosovo) estão sendo utilizados como arma de defesa viva pelo Estado da Iugoslávia. Diante de um quadro tão chocante, é de se questionar se: é lícito a um Estado exterminar pessoas que discordam de sua política? A propriedade privada é garantia da pessoa ou do Estado? O Estado democrático deve servir a todos ou à maioria? Não seria o caso de democracia que se transforma em tirania da maioria (segundo Tocqueville)? Será que a democracia possui poderes de Estado ilimitados, a suplantar os direitos humanos? Qual o valor maior: a democracia ou os direitos humanos?

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