Os caminhos para um acordo de paz entre Israel e palestinos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 31 de julho de 2013
BBC Brasil 
Enquanto israelenses e palestinos se preparam para a primeira tentativa de um acordo de paz em quase três anos, sob liderança dos Estados Unidos, a BBC relaciona os principais pontos de divergência - ou convergência - entre as três partes envolvidas no processo.
As conversas foram retomadas nesta semana com os Estados Unidos como mediadores. O secretário de Estado americano, John Kerry, disse nesta terça-feira que a meta é chegar a um acordo final em um prazo de nove meses e que "todas as questões" que dividem israelenses e palestinos serão debatidas.
"Todas estarão na mesa, com um simples objetivo: uma visão para pôr fim ao conflito", declarou Kerry, afirmando que as duas partes estão comprometidas com "negociações sustentadas, contínuas e substanciais a respeito das questões centrais" em debate.
Segundo o governo americano, novas negociações serão realizadas nas próximas duas semanas, em Israel ou nos territórios palestinos, e os lados envolvidos concordaram em manter os detalhes em segredo.
Veja abaixo, um resumo dos principais pontos de disputa para a negociaçãop de um acordo de paz.
Jerusalém
Israel
O governo israelense não está disposto a dividir Jerusalém, local definido por Israel para ser o centro político e religioso da população judia. Essa definição está na Lei Básica Israelense, de 1980, que estabelece que "Jerusalém, completa e unida, é a capital de Israel". No passado, existia algum espaço para manobra para uma possível divisão de áreas nas fronteiras. Em tentativas de diálogo em 2000 e 2007, o governo israelense à época propôs a troca de alguns distritos mais afastados do centro de Jerusalém.
Palestinos
Os palestinos querem o leste de Jerusalém como capital do Estado da Palestina - a área era ocupada pela Jordânia antes de ser retomada pelos israelenses em 1967.
O leste de Jerusalém, também conhecido como "cidade velha", é considerado o terceiro lugar mais sagrado do Islã, local onde está a mesquita de al-Aqsa e a Cúpula da Rocha (ou Domo da Rocha), de onde, acreditam os palestinos, Maomé teria visitado o céu em seu cavalo alado Burak.
Estados Unidos
Os Estados Unidos não reconhecem a anexação feita por Israel do leste de Jerusalém e mantêm sua embaixada em Tel Aviv. O presidente Barack Obama se opôs ao plano de construir casas para israelenses no leste de Jerusalém. Ele chegou a dizer, antes de se tornar presidente, que a tarefa de dividir a cidade seria uma "muito difícil de executar".
Fronteiras
Israel
O primeiro-ministro israelense Benjamim Netanyahu aceita que um estado palestino deva existir e que haverá a necessidade de cessão de partes da Cisjordânia (área tomada por Israel em 1967) para acomodá-lo. Israel já retirou suas tropas e população dos assentamentos da faixa de Gaza. O país gostaria que a área de borda incluísse os assentamentos israelenses que cresceram na Cisjordânia e Jerusalém. Entretanto, alguns membros do Likud - partido de direita que faz parte do gabinete de Netanyahu - não aceitam a ideia da coexistência dos estados como solução para o conflito com os palestinos.
Palestinos
Eles querem que as negociações comecem a partir da premissa básica de que as terras tomadas por Israel em 1967 - a Cisjordânia, o leste de Jerusalém e Gaza - pertencem à futura Palestina. Qualquer área dada aos israelenses nesses locais deveria ser compensada por uma equilibrada troca de terras. Eles têm esperança de que o reconhecimento pela ONU e a regras definidas pela União Europeia para disputa, que foram baseadas no acordo de cessar-fogo de 1967, fortaleceram a posição palestina nas negociações com Israel.
Estados Unidos
Os EUA concordam com a premissa palestina para o início das negociações, mas não com o seu final. Eles discordam sobre o uso das regras definidas em 1967 e sobre o fato de que a troca de terras deva ser feito com base em qualquer acordo.


