Ansa
Tudo começou em uma tarde de sábado, poucas horas depois do anúncio da morte do ex-secretário-geral do Partido Comunista chinês Hu Yaobang, destituído de seu cargo em 1987 por suas idéias ‘‘demasiadamente liberais’’.
Era 16 de abril de 1989, quando os primeiros ‘‘dazibao’’ (murais de manifesto) apareceram no ateneu ‘‘Beida’’ de Pequim. ‘‘Um homem honesto e de bem morreu, mas os maus vivem... Queremos a reabilitação de Hu’’, diziam algumas das legendas. Pela noite, algumas dezenas de estudantes apresentaram-se em frente ao Palácio da Assembléia do Povo, na Praça da Paz Celestial para homenagear o membro do partido. Ninguém atreveu-se a dispersá-los.
Nos dias que se seguiram, milhares de universitários chegaram à praça. Escreviam frases na estrela que, no centro da Praça da Paz celestial, homenageia os heróis da revolução maoísta. A primeira onda de manifestações pacíficas teve seu ápice com a cerimônia fúnebre de Hu, em 22 de abril.
Em 26 de abril, o ‘‘Diário do Povo’’, órgão de imprensa do Partido Comunista, publicou editorial baseado no discurso do líder chinês Deng Xiaoping, no qual condenava a manifestação e ameaçava com repressão. Mas o secretário-geral do partido, Zhao Ziyang, não concordava e tornou isto público.
Os jovens sentiram-se fortes graças ao apoio de Zhao e continuaram com os protestos, mas também se manifestavam ‘‘contra a ditadura’’ e pela liberdade e a democracia. Milhares de cidadãos uniram-se aos estudantes, que pediam ao
partido um impossível reconhecimento político.
Em 12 de maio, dezenas de estudantes iniciaram greve de fome em protesto contra a recusa ao diálogo por parte do governo.
Em 15 de maio, Mikhail Gorbachev - a quem os jovens consideravam um herói pela Perestroika e a Glasnost - chegou a Pequim para participar de uma cúpula, pela primeira vez em três anos. O então líder soviético foi recebido pela manifestação espontânea mais imponente da China comunista.
Em 18 de maio, um comunicado conjunto que anunciava a normalização das relações sino-soviéticas passou quase despercebido. No mesmo dia, uma reunião do Politburo decidiu pela destituição de Zhao Ziyang, que ao amanhecer do dia seguinte foi à praça e pediu aos estudantes que desistissem dos protesto e que anunciassem sua derrota. Os manifestantes declararam o fim da greve de fome e começaram a entrar no ateneu.
Mas, nesta mesma noite, o então primeiro-ministro chinês Li Peng proclamou a imposição da lei marcial e a intervenção do Exército para ‘‘recuperar a ordem e a estabilidade’’. O povo de Pequim saiu às ruas para parar os soldados, mas em 3 e 4 de junho a rebelião foi combatida com armas. A informação oficial é de que houve 300 mortes.

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