France Presse
De Jerusalém
O recomeço das negociações de paz sírio-israelenses, na semana que vem em Washington, abre novas perspectivas ao processo de paz no Oriente Médio e, ainda que as circunstâncias que permitiram este avanço ainda não tenham sido esclarecidas, é uma vitória para o primeiro-ministro israelense Ehud Barak, destacam os observadores.
Por outro lado, esta vitória diplomática não teria sido possível sem a mediação da diplomacia americana, que consegue assim um de seus principais objetivos e aparece como a grande heroína deste episódio.
Em Israel, apesar das críticas do Likud (oposição de direita), que acusa Barak de ‘‘capitulação total’’, a impressão geral, incluida a imprensa, é de satisfação, de que o primeiro-ministro conseguiu o que queria e que obrigou o presidente sírio, Hafez al-Asad, a reiniciar as negociações.
Em Damasco, por outro lado, o ambiente é mais prudente, e as autoridades sírias reconheceram ontem que as próximas discussões serão difíceis, mas destacam sua vontade de recuperar totalmente as colinas de Golán, perdida na guerra de 1966 e anexada por Israel em 1981.
Os responsáveis sírios se mostraram ontem confiantes com o que aparentemente ficou acertado, segundo o anúncio feito na quarta-feira pelo presidente americano Bill Clinton, ou seja, que as negociações recomeçarão no ponto em que foram suspensas, em fevereiro de 1996.
Sobre esse assunto, Damasco insiste no ‘‘compromisso adquirido por (o ex-premier israelense) Yitzhak Rabin sobre a retirada israelense do Golán até as fronteiras de 4 de junho de 1967’’, segundo uma fonte síria.
O governo do presidente Hafez al-Asad não parece estar disposto a fazer concessões sobre este ponto concreto, e os observadores se perguntam sobre o que foi exatamente acertado a respeito para conseguir a aceitação síria.

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