Oriente Médio domina Conferência
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de agosto de 2001
Hugh Nevill<BR>France Presse 
A presença do presidente palestino, Yasser Arafat, e os debates sobre a questão palestina na reunião das organizações não-governamentais (ONG) confirmam que o conflito no Oriente Médio ocupará um lugar central na Conferência Mundial da ONU contra o Racismo, que começará em Durban, África do Sul, amanhã. A presença de Arafat foi anunciada ontem pelo ministério sul-africano das Relações Exteriores, que também comunicou a presença de pelo menos 13 chefes de Estado, que incluem o cubano Fidel Castro, o argelino Abdelaziz Buteflika, o presidente da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, entre outros.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, chegou ontem a Durban, no momento em que a questão palestina inflamava os ânimos na reunião das ONGs.
Entre os delegados das ONGs presentes no estádio de cricket de Kingmead, um palestino com um keffiya (lenço típico palestino) e um judeu sul-africano com uma kipa (solidéu judeu) iniciaram uma conversa amistosa.
''Por que não podem negociar?'', perguntou Ramon Widmond, do Conselho Representativo dos Judeus da África do Sul, que relatou que um grupo de palestinos o cercou e o insultou ao ver seu kipa. Quando a discussão chegava ao fim, o palestino Imtiaz Jhetam afirmou: ''Se alguém te disser para tirar seu kipa, me diga e eu repreenderei.'' Outro judeu, membro da delegação de uma ONG palestina, Iris Bar, da cidade israelense de Haifa, afirmou: ''O que precisamos é de um movimento para boicotar Israel de todas as formas possíveis.'' O chefe do departamento político (Relações Exteriores) da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Faruk Kaddumi, informou que a delegação palestina em Durban pedirá uma ''condenação firme das agressões criminosas israelenses''.
Os Estados Unidos anunciaram na segunda-feira que seu secretário de Estado, Colin Powell, não participará da conferência de Durban por causa do caráter antiisraelense de alguns documentos.


