Organizações humanitárias são saqueadas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de outubro de 2001
Antonio Rodríguez<br> France Presse<br> De Islamabad 
Os bombardeios americanos voltaram a causar pelo menos seis vítimas civis ontem em Cabul, informaram testemunhas oculares, enquanto se multiplicavam os saques e assaltos a escritórios de organizações humanitárias no Afeganistão. Aviões norte-americanos voltaram a bombardear a capital afegã pouco antes do meio-dia (7h30 GMT), provocando quatro explosões na zona leste de Cabul, segundo um correspondente da AFP. A agência afegã AIP, baseada no Paquistão e próxima à milícia islamita do Taleban, anunciou a morte de oito pessoas em bombardeios nessa mesma zona de Kalae Zaman Jan. Outros moradores destacaram a morte de uma menina de oito anos no bairro de Macroyan (zona leste). Trata-se do maior número de vítima civis reportados por fontes independentes desde o começo dos bombardeios, em 7 de outubro.
O Taleban também denunciou que os bombardeios causaram a morte de mais de 400 civis, número classificado de ''ridículo'' pelo secretário americano da defesa, Donald Rumsfeld. Ele assegurou, ontem, à CNN, que muitos membros do Taleban estavam desertando.
No meio do conflito, muitas organizações humanitárias denunciaram que tinham sofrido vários assaltos nos últimos dias. A organização humanitária Médicos sem Fronteiras (MSF) anunciou que seus escritórios em Mazar-e-Sharif e em Kandahar (sul), o reduto do Taleban, foram saqueados. A MSF não explicou quem foram os responsáveis pelos saques, mas as duas cidades estão sob controle do taleban. ''Com o fechamento destas duas importantes bases regionais, amplas regiões do norte e do sul estão sem assistência'', afirmou a MSF.
Por sua vez vez, a organização de defesa dos Direitos Humanos Human Rights Watch (HRW) fez um apelo ''a todas as forças militares no Afeganistão'' para garantir a segurança dos representantes das organizações humanitárias que trabalham no país. HRW se mostrou preocupada com o aumento dos ataques contra funcionários locais no território controlado pelo taleban.


