Caracas - A oposição ao governo do presidente venezuelano Hugo Chávez formou ontem uma frente política unitária, cujo principal objetivo é impedir a consolidação de um ''projeto totalitário''. O grupo também convocou uma manifestação em Caracas para 1 de maio, Dia do Trabalho.
A Frente Unitária Nacional pela Defesa da Democracia busca ''impedir o projeto totalitário de converter todos os venezuelanos em escravos do Estado. Se esse projeto for consolidado, não apenas se tirará a liberdade do povo, como também o condenará à pobreza permanente, como aconteceu como povo cubano'', afirma o comunicado lido pelo prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, em nome da oposição. ''Decidimos convocar o país para dizer ao governo um basta de autoritarismo. Resolvemos aprofundar a luta ao lado do povo venezuelano'', acrescenta o texto.
A posição acusa o governo federal de usar a justiça para perseguir dissidentes políticos, citando o caso do ex-candidato presidencial Manuel Rosales, que deve comparecer hoje numa audiência preliminar por um caso de enriquecimento ilícito, em meio a uma polêmica sobre seu paradeiro.
A nova frente política reúne cerca de 20 partidos políticos de oposição, entre eles os social-democratas Um Novo Tempo e Ação Democrática, assim como o Copei (social-cristão), Primeiro Justiça (centro), e Podemos (esquerda), que, até 2007, pertenceu ao bloco chavista.
Até o momento não se pensa na nomeação de um candidato único, afirmou a porta-voz do Um Tempo, Delsa Solorzano. ''Nós não estamos aqui para promover candidaturas de ninguém e sim defender a democracia'', afirmou Solorzano. No acordo, também assinado por organizações sindicais, civis e estudantis, os integrantes se comprometeram em traçar uma estratégia única em suas próximas ações políticas.
Em 2007, a oposição chegou a formar um bloco unitário para a campanha de reforma constituicional proposta por Chávez e que foi rejeitada em referendo. Também conseguiu consenso na seleção da maioria das candidaturas para as eleições de prefeitos e governadores de 23 de novembro de 2008.
O prefeito Ledezma denunciou na sexta-feira uma recente lei promulgada pelo presidente Chávez para limitar seus poderes e o acusou de agir como um ditador, em entrevista publicada pelo jornal El País. ''Os governos autoritários são cegos ante os limites. Os governantes que têm limites são os democráticos. E Chávez já atua como um ditador'', afirmou Ledezma.
Ledezma, classificado pelo jornal espanhol de ''prefeito sem gabinete e sem orçamento'', criticou uma lei promulgada na terça-feira por Hugo Chávez que cria o cargo de ''chefe de Governo de Caracas'', uma nova figura administrativa, nomeada pelo presidente da República, ''para quem foram transferidas quase todas as competências e bens que o prefeito administrava, incluindo seu palácio de Governo''.
''Um presidente que não respeita a Constituição, que não tolera a dissidência, que criminaliza a opinião contrária, deixa de ser democrático. Os verdadeiros chefes de Estado democráticos são os que estão submetidos ao império da lei''.

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