Opositor de Blair vence eleições em Londres
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sexta-feira, 05 de maio de 2000
France Presse De Londres 
O primeiro-ministro britânico Tony Blair sofreu ontem uma dupla derrota, tanto para a direita, com o avanço dos conservadores nas eleições municipais, como para a esquerda, com a vitória do dissidente trabalhista Ken Livingstone (foto), mais conhecido como Ken, o Vermelho, na disputa pela prefeitura de Londres. Blair não fez qualquer comentário, já que o país começa a entrar no clima das eleições gerais de 2001, um ano antes do final de seu primeiro mandato.
Temos que ficar alertas, não podemos contar como certa a vitória nas próximas eleições, advertiu Livingstone, considerado por Blair como um desastre para Londres.
O ex-amigo do primeiro-ministro assumiu o risco de ser expulso do Partido Trabalhista ao se apresentar contra o protegido de Blair, o ex-ministro da Saúde Pública, Frank Dobson, para a prefeitura de Londres.
Segundo o chefe de governo, Livingstone, um provocador nato de 54 anos, encarna a esquerda irresponsável, a quem responsabiliza por 18 anos de trabalhismo relegado a segundo plano na política nacional, e que acreditava ter superado, com a aproximação do Partido Trabalhista com os centristas.
A lição é ainda mais cruel, já que a decisão de Blair de criar o cargo de prefeito para Londres, uma das medidas de seu ambicioso plano de reformas institucionais, serviu de trampolim para Livingstone.
Em geral, Livingstone canaliza a desilução de vários militantes trabalhistas que reprovam o governo, em sua lentidão na hora de reformar o sistema educacional e a saúde pública, de modernizar os transportes e de repartir os dividendos da boa fase na economia. O novo prefeito milita a favor da imediata adesão ao euro, até agora atrasada pelo governo.
O descontentamento da capital foi respaldado no resto da Inglaterra, onde se renovaram 152 conselhos municipais. A recontagem do conjunto das municipalidades, à exceção de três, revelava a perda de 562 cadeiras trabalhistas em relação a 1996, enquanto que os tories (conservadores) ganhavam 588.


