Oposição venezuelana volta às ruas para exigir eleições
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terça-feira, 24 de janeiro de 2017
France Presse 

Caracas - Cerca de 2 mil pessoas foram às ruas na Venezuela, nesta segunda-feira (23), para exigir a antecipação das eleições como caminho para tirar o presidente Nicolás Maduro do poder e resolver a grave crise política e econômica do país. Policiais civis e militares impediram a multidão de avançar até a sede do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), em Caracas. As manifestações transcorreram sem incidentes graves na capital, mas pequenos distúrbios foram registrados em outros pontos do país.
"Viemos exigir o direito que os venezuelanos têm de votar. É a única maneira de mudar isso", declarou o presidente do Parlamento, Julio Borges, ao entregar uma carta com esse pedido a Luis Emilio Rondón, único dos cinco reitores do CNE alinhado com a oposição.
Rondón compareceu à marcha na Avenida Libertador, ponto onde a multidão foi contida pela polícia. Ele prometeu tramitar a solicitação, afirmando que a crise é "impossível de ser escondida" e "as instituições têm de responder".
Por outro lado, milhares de chavistas marcharam no centro de Caracas em "defesa da revolução". "O povo está na rua apoiando o presidente. Não vamos permitir que acabem com nossa revolução, que nos dá tantos benefícios sociais", defendeu Pedro Camargo.
A tensão entre o governo e a Mesa da Unidade Democrática (MUD) voltou a subir nas últimas semanas. Um grupo de opositores, entre eles um suplente de deputado, foi detido pelo recém-criado "comando antigolpe", liderado pelo vice-presidente Tareck El-Aissami, um chavista radical.
O CNE havia adiado para 2017 as eleições regionais, as quais deveriam ter sido realizadas em dezembro do ano passado. "Neste momento, não há qualquer garantia de eleições no país. E não há democracia sem votos", ressaltou o ex-candidato presidencial pela oposição Henrique Capriles.
Segundo pesquisas de institutos privados, oito em cada dez venezuelanos reprovam o governo, cansados da severa escassez de alimentos e de remédios e de uma inflação que bateu 475% no ano passado, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), e que deve pular para 1.660% em 2017.
No domingo (23), o governo nomeou o deputado Ricardo Sanguino para a presidência do Banco Central. "O governo teme que uma reação em cadeia das ruas, pela terrível situação econômica, possa criar uma tempestade perfeita que saia do controle", disse o analista Diego Moya-Ocampos, do IHS Markit Country Risk, de Londres.


