Caracas - O chefe do Parlamento venezuelano, o opositor Julio Borges, pediu no domingo (14) a abertura de um diálogo com as Forças Armadas, que juraram "lealdade incondicional" ao presidente Nicolás Maduro, em meio a crise que atinge o país. "Faço um pedido ao ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, para que abra as portas para um debate sincero com as Forças Armadas", declarou em uma coletiva de imprensa o chefe do Legislativo, único poder público controlado pela oposição. De acordo com dirigentes opositores, Maduro e dois de seus delegados mantiveram um diálogo nesta semana com Padrino López e generais para promover a iniciativa de convocar uma Assembleia Constituinte. Isso aconteceu em meio a uma crescente violência que já deixou 38 mortos e centenas de feridos em seis semanas de manifestações contra o governo, que eles exigem eleições gerais. "Se Jaua, Escarrá e Maduro têm direito de falar com os generais sobre sua visão partidária sobre o caos que vive a Venezuela, nós também temos direito", expressou Borges. Maduro está diante de um sistema em que ao menos metade dos 500 constituintes serão eleitos por setores sociais nos quais o chavismo tem forte influência. O que busca, de acordo com seus críticos, é fugir do "voto universal". As Forças Armadas, em um comunicado assinado por Padrino, consideraram a Constituinte como "uma proposta revolucionária, constitucional e profundamente democrática".
"Nós não queremos uma Força Armada que se submeta à oposição, e sim uma Força Armada que se submeta à Constituição", afirmou Borges.

MORTE E PROTESTO
A famosa estilista venezuelana Carolina Herrera repudiou no sábado (13) o assassinato de um sobrinho em Caracas por sequestradores e aproveitou para fazer críticas ao governo, que chamou de "ditadura".

"Nossa única esperança é que os trágicos assassinatos de nosso jovem sobrinho, Reinaldo, e seu colega Fabrizio sirvam para mitigar a terrível carniceria e os assassinatos que se cometem contra nossa juventude na Venezuela", escreveu Herrera na rede social Instagram.

A estilista de 78 anos, radicada em Nova York, prestou uma homenagem com fotografias em preto e branco em que aparece com seu sobrinho, assassinado aos 34 anos na noite de quinta-feira (11) junto com seu colega Fabrizio Mendoza, de 31. A empresária agradeceu pelas mensagens de solidariedade recebidas e criticou duramente o governo do presidente Nicolás Maduro.

"A ditadura comunista deve acabar", afirmou.

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