Oposição venezuelana faz autocrítica
Fabiola Sánchez
Associated Press
De Caracas
A renúncia dos principais líderes da Ação Democrática, o maior partido de oposição da Venezuela e que outrora levou ao poder seis presidentes em menos de 50 anos, pôs à mostra a profunda crise na qual se encontram os partidos de oposição venezuelanos.
Logo após a eleição da Assembléia Constituinte em 25 de julho, na qual a coalizão governista Pólo Patriótico obteve 92% dos votos, os partidos de oposição Ação Democrática e o social-cristão Copei viveram expurgos internos, com a renúncia maciça de seus principais líderes e o início do processo de reestruturação.
Enquanto isto, o presidente Hugo Chávez fortalece sua popularidade. Luis Vicento León, diretor do instituto Datanalisis, disse à Associated Press que depois de 200 dias no poder Chávez mantém um índice de popularidade superior aos 70%, enquanto a oposição tem apenas 13%.
O ex-presidente Carlos Andrés Pérez, que já foi dirigente da Ação Democrática, afirmou à AP que a crise que enfrenta atualmente seu partido social-democrata representa a morte da organização.
Um partido político tem a oportunidade constante de renovar-se e modernizar-se. Nós que lideramos os partidos cometemos o erro de prolongar excessivamente nossa liderança. Os partidos tradicionais envelheceram conosco, avaliou.
A deterioração da AD não é um fenômeno recente, disse o ex-presidente, mas em vista da eleição que levou Chávez ao poder o partido passou a ser uma casca vazia.
Federico Welsch, professor de ciências políticas, explicou que os partidos tradicionais desapareceram do mapa político devido ao fato de terem se oposto à mudança e se distanciarem do país.
Os altos dirigentes decretaram sua morte política ao desligarem-se das bases de seus partidos e por deixarem o poder nas mãos de cúpulas fechadas, acrescentou Welsch.
Os partidos estão paralisados de susto. Estão assustados com a nova constituição e o poder absoluto do presidente Chávez, disse o professor universitário.
Em parte, os partidos estão em queda por causa das insistentes críticas lançadas contra eles por Chávez e seus seguidores. O ex-presidente Perez opinou que Chávez se alimenta do pão da raiva, das frustrações e desenganos. Isto lhe abriu a porta de uma liderança sintética. Assim foi a liderança de Hitler e Mussolini.
Os partidos da oposição, entretanto, asseguram que não desapareceram, que estão apenas em processo de reestruturação.
A oposição está hibernando. Não convém a ninguém brigar contra Chávez neste momento, porque se converteria num inimigo do povo, disse Léon.
As consequências desse processo ainda estão por vir. Pérez, pelo menos, opinia que aos opositores do governo não resta outro caminho que a criação de novos partidos.A ascensão fulminante do presidente populista Hugo Chávez coloca em xeque as associações partidárias tradicionais na Venezuela
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