Oposição venezuelana exige liberdade dos 'presos políticos'
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sexta-feira, 28 de abril de 2017
France Presse 
Caracas - Cerca de 2 mil venezuelanos seguiram, nesta sexta-feira (28), para os presídios, onde Leopoldo López e outros membros da oposição estão detidos, para reivindicar sua liberdade, ao completar um mês de intensos protestos pela saída do presidente Nicolás Maduro.
"Liberdade, liberdade!", gritavam os manifestantes, usando camisetas com o rosto de López, nos arredores de Ramo Verde, periferia de Caracas, onde o líder opositor cumpre uma pena de quase 14 anos acusado de incitar à violência nos protestos de 2014.
Milhares de elementos da Guarda Nacional bloqueavam as vias com caminhões e uma barreira metálica. "Não deixaram a gente passar para ver Leopoldo. Com uma sirene, não nos deixaram ouvi-lo. Estamos há um mês sem vê-lo, ou ouvi-lo. O que dizem é que está punido com isolamento. Liberdade para todos os presos políticos", declarou à imprensa Lilian Tintori, esposa do opositor, acompanhada da sogra, Antonieta Mendoza.
Perto do bloqueio, o deputado opositor Henry Ramos Allup afirmou que as forças de segurança tinham ordem de não deixar os opositores passarem.
Grupos de opositores se concentraram em diferentes pontos de Caracas, chegando a San Antonio de Los Altos, de onde marcharam 14 quilômetros rumo a Los Teques.
Outro grupo protestou nos arredores do centro de reclusão do serviço de Inteligência El Helicoide, na capital, e houve pequenas mobilizações em outras cidades do país.
"Vim porque quero voltar a viver na democracia. Aguentaremos o que for até conseguir eleições", disse à AFP Reina Romero, uma educadora aposentada de 71 anos.
Próximo dela, um homem segurava um cartaz que dizia: "Eleições já". Um grupo de deputados fez uma sessão plenária do lado de fora do presídio, bem em frente ao cordão de segurança, em uma mesa colocada no meio da rua. "Pedimos ao povo que continue na resistência", declarou à imprensa o vice-presidente do Parlamento, Freddy Guevara.
A oposição afirma que, com as prisões na onda de protestos contra Maduro que tiveram início em 1° de abril, subiu de 100 para 170 o número de presos políticos, a quem o governo trata como autores de atos de violência e conspiração. Até agora, os confrontos entre as forças de segurança e os manifestantes, os distúrbios, os saques e os tiroteios que ocorreram neste mês deixaram 28 mortos e dezenas de feridos.
A mobilização junto às prisões faz parte de uma ofensiva da oposição para exigir eleições gerais, respeito à autonomia do Parlamento, libertação dos ativistas presos e canal humanitário que alivie a escassez de alimentos e remédios sofrida pelo país.


