Caracas A oposição venezuelana convocou uma concentração de 24 horas a partir de hoje para protestar contra a decisão do Tribunal Supremo de suspender o referendo de 2 de fevereiro sobre o mandato do presidente Hugo Chávez. ''Vamos permanecer 24 horas em vigília pela democracia'', afirmou à AFP o porta-voz da Coordenação Democrática (CD), Jesús Torrealba.
''Estamos pedindo ao grupo de Países Amigos (da Venezuela) e à mesa de negociação e acordos para que instrumentalizem a resolução 833 do conselho permanente da Organização de Estados Americanos (OEA), que estabelece que a crise venezuelana deve ter uma solução pronta, pacífica, democrática e eleitoral'', afirmou.
Os opositores planejam concentrar seus partidários em um longo trecho no leste da rodovia Francisco Fajardo, a principal de Caracas.
''Preparem-se para o protesto mais longo da história'', assegurou.
Invasões O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, defendeu, numa eufórica mensagem a milhares de seguidores, que os militares continuem a invadir as empresas que estão escondendo alimentos, como forma de combater a greve geral convocada pela oposição e apoiada por empresários que não estão distribuindo seus produtos.
Ao se referir à empresa americana Panamco, distribuidora da Coca-Cola que foi ocupada na sexta-feira passada, Chávez rebateu as críticas, alegando que, graças à medida, a companhia voltará a distribuir seus produtos.
O presidente tornou público o seu apoio ao polêmico oficial que comandou a invasão, o general da Guarda Nacional, Felipe Acosta Carles, que depois de entrar na distribuidora, bebeu uma cerveja e arrotou diante das câmeras de televisão.
Petróleo O presidente venezuelano voltou a afirmar que, antes do fim de janeiro ou na primeira semana de fevereiro, a produção de petróleo da Venezuela chegará aos dois milhões de barris diários. ''A recuperação tem sido muito mais rápida do que esperávamos'', disse o presidente a milhares de seguidores, um dia depois de o Supremo Tribunal de Justiça ter invalidado um referendo consultivo sobre sua permanência no poder, defendido pela oposição.
A estatal Petróleos da Venezuela (PDVSA) foi atingida pela greve geral da oposição no país, que já dura 54 dias.
Apoio O Fórum Parlamentar Mundial, que agrupa principalmente congressistas da esquerda de todo o mundo, aprovou ontem uma resolução de apoio ao povo venezuelano, na qual critica a oposição e a mídia da Venezuela.
A resolução dos parlamentares declara que ''a mesma coalizão que executou o golpe de Estado de abril de 2002 na Venezuela continua tentando desestabilizar as instituições democráticas'' e que ''para esse fim recorreu a mecanismos como lock-out patronal, sabotagem da produção de petróleo, bloqueio da distribuição de alimentos e tentativas de paralisação de outros setores como finanças e transporte''.

mockup