La Paz- Impedido de chegar a bastiões da oposição nos últimos dias, o presidente da Bolívia, Evo Morales, escolheu a majoritariamente governista e indígena El Alto, na região metropolitana de La Paz, para encerrar a campanha ao referendo revogatório de domingo, quando estarão em jogo o seu mandato e os de oito governadores.
Num palco armado em um viaduto, protegido por milhares de pessoas na cidade em que 90% lhe apóiam -a maior taxa do país-, Morales classificou de ''ditadura civil'' os protestos de grupos que impediram sua presença ou a de seus ministros em regiões do país governadas pela oposição. ''Estão tomando aeroportos, tentando tomar algumas instituições, não permitem que cheguem os ministros a algumas regiões. São ditaduras civis, antes eram militares. Saudamos as Forças Armadas por se somarem ao processo de mudança'', disse.
Ontem foi o Dia das Forças Armadas. E mais cedo o presidente havia dito o mesmo no desfile militar e indígena no departamento de Cochabamba, que, embora governado pela oposição, é seu berço político. Foi referendado pelo comandante das Forças Armadas, Luis Trigo Antelo, que pediu o fim dos atos violentos para que o país não vire ''Angola, Congo ou Haiti''.
Mas as palavras mais fortes vieram do ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, para quem a Bolívia está ''às portas de um verdadeiro golpe de Estado contra a ordem constitucional''. Acusou os governadores das regiões de armar grupos paramilitares. Segundo o ministro, na noite de terça o carro em que estava na cidade de Trinidad, no departamento opositor de Beni, foi baleado.

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