Oposição tem vantagem na Argentina
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domingo, 03 de maio de 1998
Ariel Palacios Agência Estado 
Arquivo FolhaNa frenteGraciela Meijide vota nas eleições legislativas do ano passado. Mãe de um desaparecido na ditadura, ela tem 22% das intenções de votoOs tempos de ampla vantagem nas pesquisas sobre intenção de voto à presidência da Argentina terminaram para a deputada Graciela Fernández Meijide.
A deputada, candidata do partido da oposição Frepaso, agora assiste à aproximação crescente de Fernando De La Rúa, prefeito de Buenos Aires, e candidato da União Cívica Radical (UCR), partido que junto com o Frepaso de Meijide formam a coalizão opositora Aliança.
Em novembro, a Aliança convocará eleições abertas para filiados e não-filiados para decidir entre De La Rúa e Meijide, qual será o candidato à presidência e qual será o candidato a vice. No entanto, diversos líderes da Aliança não excluem que o candidato poderá ser definido por consenso.
Segundo a pesquisa do Gallup divulgada ontem em Buenos Aires, a carismática Meijide, mãe de um filho desaparecido na Ditadura, possui 22% da intenção de votos dos argentinos para as aleições presidenciais de maio de 1999. Mas o taciturno De La Rúa, que em fevereiro estava 9% atrás da deputada, hoje está apenas 1% atrás, com 21%.
Para o pesquisador Manuel Mora Y Araujo, da consultoria que leva seu nome, Meijide é como uma grande onda, mas agora veremos quanto de espuma há nela. Entre as diversas causas a que se atribuem o aumento para De La Rúa estão as polêmicas declarações de Meijide sobre o presidente Menem, a quem definiu de plebeu, além das críticas à benção que o papa João Paulo II enviou para o presidente argentino.
Independentemente de quem fosse o candidato da Aliança, a pesquisa do Gallup, indica que a coalizão da oposição obteria 42% dos votos nas eleições do ano que vem, enquanto o governo chegaria a 31%. Apesar da grande diferença, a pesquisa serviu como sinal de alerta à Aliança; em novembro, a coalizão tinha 51% da intenção dos votos.
A vantagem foi se diluindo com as brigas internas da coalizão, a indefinição de um programa conjunto, e a incapacidade de constituir-se em uma força política.
A mesma pesquisa indicou que a administração do presidente Carlos Menem é desaprovada por 59% da população, contra somente 31% de aprovação. Cerca de 41% dos pesquisados afirmaram que a imagem que têm de Menem é negativa e somente 22% a consideram positiva.
Segundo o Gallup, a nova estrela do partido do governo, o Justicialista (também conhecido por Peronista), é Ramón Palito Ortega, uma versão argentina de Roberto Carlos, que entrou na política há menos de uma década, foi governador da província de Tacumán e há menos de dois meses foi entronizado como o candidato do presidente Carlos Menem para as eleições presidenciais.
Mesmo que a Suprema Corte admitisse uma interpretação da Constituição que permitisse a segunda reeleição de Menem, o presidente teria que enfrentar a oposição do eleitorado, já que segundo o Gallup 78% não desejam ver Menem por outros quatro anos na Casa Rosada.
Pela primeira vez, Palito Ortega passou a ocupar o primeiro lugar entre os potenciais candidatos peronistas. Com 13% das intenções de voto, o ex-cantor e ex-governador não só superou os 12% do governador Eduardo Duhalde (visto como o candidato natural do peronismo nos últimos três anos), como também colocou-se na frente do próprio Menem, seu padrinho político, também com 12%. Analistas políticos atribuem o salto de Ortega ao seu crescente protagonismo como Secretário de Desenvolvimento Social, o órgão do governo encarregado de decidir que municípios receberão os fundos de ajuda para as fortes inundações que atingem o país.
Segundo o Gallup, o ex-ministro da Economia, Domingo Cavallo, conseguiu 5% das intenções de voto, e o ex-piloto de Fórmula 1 Carlos Reutemann, 3%.


